segunda-feira, 11 de abril de 2011

Na comissura entre o texto e o leitor


Não é o curso irrefreável da natureza,
sequer uma epifania ou a contrafação
de um diamante. É, se tanto, uma busca
de resposta, aflição epidérmica que só
é abrandada ao rebojo do que escrevo.
Pois tudo o que se diz tende (e propende)
ao poema, e à tona de um momento
qualquer existe o alento da poesia.

Palavras são biodegradáveis e o texto é
fugaz no espaço a que se reduz nesse ruído
de fundo, grande supermercado cognitivo.
Eu escrevo na tentativa de gerar uma flor
no bocejo de quem me lê: atenção raptada
e mantida refém pelo tempo de um enquanto.


10 comentários:

Anne Barreto disse...

Devia ter um botão pra eu clicar tipo "Curti", "Gostei", "Parabéns", entre outros... Porque muitas/a maioria das vezes vc fala tão bem, em tão poucas palavras que eu fico sem palavras para dizer o que achei/senti/pensei...
Pois vc conseguiu:
"Eu escrevo na tentativa de gerar uma flor
no bocejo de quem me lê: atenção raptada
e mantida refém pelo tempo de um enquanto."

;)

Fabrício Franco disse...

Anne,

Muitíssimo obrigado pelo elogio. Vale muito para mim. E é isso mesmo que eu busco: que meus(minhas) leitores(leitoras), de algum modo, sejam 'acordados' para a palavra. Que ela lhes signifique algo, mesmo que seja só naquele instante da leitura. Acredito que eu tenha conseguido isso, com você. Fico muito agradecido por você me mostrar isso, dá-me um alento tremendo de continuar.

Beijo, com carinho!

Matheus Matos disse...

"Curti"

Fabrício Franco disse...

Matheus,

Obrigado pela visita!

Nanda disse...

Você é um mestre no trato com as palavras!

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Muito obrigado pelo elogio. Fico envaidecido. Contudo, não me considero mestre, visto que ainda há - e muito! - o que aprender. Sempre há.

Que bom que veio me ler aqui.

Abraço!

Mila disse...

Meu amigo, como sempre, adorei seu texto. Mas discordo um tanto de uma parte. A biodegradabilidade (nossa, q palavra enorme!) e fugacidade das palavras se vão quando as imprimimos no papel. O mesmo se dá quando consegue "gerar uma flor no bocejo" de quem as lê. A partir daí, as palavras até podem se esvair, mas as idéias permanecerão.
beijos saudosos!

Fabrício Franco disse...

Miloca,

Talvez seja justamente por isso que ainda insisto em escrever, para que essa degradabilidade não se torne tão imperiosa.

Beijos, com imenso carinho!

Anônimo disse...

Carolina Diz: Que texto maravilhoso!!!!
Eu diria que seus textos JAMAIS teria a atenção raptada e mantida refém pelo tempo de um: “enquanto”.

Fabrício César Franco disse...

Carolina (?),

Obrigado pela visita! E fico muito grato pelo elogio ao meu texto. Que o "enquanto" dure o tanto que baste para você se divertir com o Logomaquia.

Um beijo, volte sempre!

 
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