segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 10 comentários

Solilóquio



Percebo as pequenas coisas: 
o zumbido de uma geladeira,
o atrito do tecido
de uma camisa antiga
contra a pele, o som
dos saltos de madeira
sobre o cimento arenoso,
o sentido
de uma conta telefônica
vencida.

Quando se
pára para
pensar, a maior
parte da vida
é senão
um acúmulo
de pequenas coisas,
como geladeiras
que zumbem ou telefones
cancelados.

De certa forma,
sou como
um velho amanuense,
espanando
as superfícies
da minha vida.
Perscrutando
o ordinário, em busca
de uma conexão
subjacente.


domingo, 30 de janeiro de 2011 12 comentários

Ode (mínima) à inércia


Estático,
                  extático.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011 4 comentários

À guisa de introdução


Levado a este istmo de quase saber o que estou fazendo, escrevo com um embaraço quase virginal. Nesse pedaço de todas as dúvidas, eu me ponho em xeque a cada caractere. Tenho um senso crítico ferocíssimo. 

Entretanto, como li em algum outro lugar, todos nós ansiamos por intimidade. E é isso que busco e ofereço, essa possibilidade de ser lido rente ao que pretendi, criar o pathos exato para que possamos, num átimo, encontrarmo-nos na mesma posição: unívocos no símbolo, seja palavra ou imagem.

Meu interesse jaz mais aquém, no debrum do que existe entre os signos. Padeço desta enfermidade que me impede de ser afásico, mesmo quando me quero em silêncio.

Sem pretensões além do próprio ardor de me expressar (esse comichão de todas as horas), este diário cibernético é apenas isso: “um delírio do simbólico num coito com os signos”.

 
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