quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um livro na estante


Uma estória de guerra, seu significado.

Ou já que o significado escapa à guerra,
o que ela fez à aparência das árvores
e aos edifícios, a maioria dos quais sobreviveu
como relíquia para visitação à distância,
e serem demolidos anos mais tarde
para que a rua fosse alargada
ou que se construísse
um novo complexo de escritórios.

Lá estava, na estante.
Comprado numa liquidação
e que ninguém havia lido.
Praticamente novo, a lombada intacta.
Mesmo eu, só olhei as figuras,
a quantidade de páginas implacáveis.
Talvez houvesse algo relevante e raro
disperso nos parágrafos,
um toque de argúcia nos títulos longos,
aquela transcendência que algumas
frases nos trazem ao final dos capítulos.

Não sei.

Quando o guardei de volta ao seu lugar,
o homem da capa ainda sorria
apesar de saber tão pouco do que viria,
mesmo sendo personagem principal da situação.

Como nós,
que ainda não lemos o livro.


12 comentários:

Nanda disse...

Nossa, estou com tantos livros na estante, que ainda não foram lidos. Enquanto outros são lidos inúmeras vezes.

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Estava eu fazendo um balanço do meu acervo e vi o quanto já li, mas ao mesmo tempo, os diversos livros 'encalhados' na estante. Livros que apenas folheei, e de algum modo, não me chamaram a atenção para uma leitura mais atenta, ainda que fora eu quem os comprasse, a princípio. Será que leitura tem momento certo?

Su Palanti disse...

Pois eu estou lendo apenas três livros ao mesmo tempo, louca para terminar todos eles e com mais uns oito a minha espera... Meu Deus! Como alguém pode viver nesta vida sem ler? Onde encontraremos tanta vida longe das estórias contadas através das letras?

Fabrício Franco disse...

Su,

Também tenho essa paixão pelas páginas folheadas. Você sempre me encontra lendo duas ou três obras obras simultaneamente, hábito que tenho desde pequeno. Bom saber que não estou sozinho nessa senda...

Patrícia disse...

Indo um pouco mais longe, toda a alusão aos muitos livros que deixamos nas estantes da vida pelos mais diversos motivos!! Pena que muitos desses se perdem nas estantes empoeiradas nos armários trancados por chaves perdidas! Lindo texto, linda poesia, linda estante! Prazer estar aqui.

Fabrício Franco disse...

Patrícia,

Prazer maior é ter sua visita. Obrigado! E que reencontremos nossos livros perdidos, em estantes ou não, para aquele essencial momento de leitura.

Anônimo disse...

Ah! os livros!(Seu poema é tradução de experiências que vivencio...)
Já lhe falei sobre o apego que tenho aos "archivos" (sic!)
Compro os que me interessam agora. Recebo presentes.Mas sempre volto ao prazer da releitura.
Num ato de coragem,( sem espaço nas "estantes')encaminhei novecentas obras para a biblioteca municipal.Mas num gesto automático, de vez em quando tento encontrar alguma delas na prateleira.
Grande abraço, POETA!
Andrea Marcondes

Fabrício Franco disse...

Caríssima,

Sei do seu (nosso!) apreço por livros. Sou cria deste ato, de ficar sentado, pernas cruzadas, horas à fio, lendo e relendo. Gosto disso. Mas sei dos espaços exíguos, da falta de tempo, da necessidade imperiosa de ter que priorizar. Hoje, tenho somente os favoritos perto de mim. Os demais, que a boa sorte os leve para quem se dispuser a lê-los e respeitá-los, como mundo à parte que são.

Obrigado pela visita e pelo comentário!

Anne Barreto disse...

Também estou com vários livros para ler na minha estante... assim como tenho mania de ler várias obras ao mesmo tempo... cada uma para um determinado momento/espaço diferente...
mas uma coisa é certa, já li muito mais livros do que os que tenho na estante! Minha estante ainda é um "bebê"! E não consigo viver sem ler!

Fabrício Franco disse...

Anne,

Leitura, para mim, é como uma segunda natureza. Não há como ficar sem.

Obrigado pela visita!

Magda Albuquerque disse...

Às vezes passamos mil vezes pelo mesmo livro, ele chama a atenção, mas não os lemos. Em algum momento da vida, ele faz sentido e é lido.
Já passei pela experiência com vários livros de comprá-los, tentar lê-los e não seguir em frente, e mais tarde, anos passados, voltar a ler e perceber o quanto de sentido havia não conseguir ler em um momento onde a minha história confundia-se com a do livro.
Os livros tem alma, e interagem com a nossa alma.

Lindo texto, Fabrício.

Um beijo.

Fabrício Franco disse...

Magda,

Livros, acho eu, são portais para o prolongamento de nossas almas.

Obrigado pela visita!

Beijo!

 
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