domingo, 13 de maio de 2012

Nuanças


Nossas despedidas cotidianas
somente foram ensaios para a cena final
: esse adeus numa manhã quarada de maio.
Em tinta, a tez do luto sobre o papel.
Sou todo ao convulso. Procuro razões.
Não há mais como
identificar a cor sem
embalsamar o camaleão.
O dia estaciona e a realidade
desce em mim feito avalanche.
Já não somos. Fomos.


18 comentários:

Only Me disse...

Adorei isto:

Não há mais como
identificar a cor sem
embalsamar o camaleão.

Fabrício Franco disse...

Hola, ¿que tal?

Bienvenido a mi rincón poético!

Lo bueno es que mis ideas locas todavía tienen algún sentido.

Vuelve a menudo!

Anônimo disse...

Achei lindo e triste e tão verdadeiro! Quantas vezes durante a vida repetimos esse poema?

Beijo, prazer sempre estar aqui.

Patricia.

Fabrício Franco disse...

Pois, Patrícia, acredito que somos talhados para isso: despedidas e chegadas, como se fôssemos terminais de trem ou saguões de aeroportos semoventes. Chegamos de abrupto (ainda que para nossos pais não o seja tão assim), e passamos nossa vida a aprender como se parte direito, até, finalmente, chegar a nossa própria partida.

Abraço e feliz dia das genitoras!

Su Palanti disse...

Se a tinta cria o luto sobre o papel, as cores do sol criam nas imagens a vontade da vida... Sim, já não somos. Fomos... E ainda seremos.
Bjussss

Fabrício Franco disse...

Suzana,

É esse eterno retorno que nos move adiante. A esperança (ou seria dizer, a confiança) de que tudo se renova, bastando a gente deixar...

Seremos. E escreveremos a respeito.

Abraço!

Will Carvalho disse...

Senti uma pontinha de dor no coração com teus versos. Apesar disso, sinceramente, teimo em acreditar que "seremos" eternamente. Acho que dependemos de um aprender a seguir juntos, mesmo tendo a impossibilidade da presença física tão real. Acreditar que a ligação entre nós é sempre mais forte.

abs

Fabrício Franco disse...

Will,

Nem sempre. Há pessoas que ficam tão amargas conosco, que - para nossa sobrevivência - é melhor o afastamento. Saber perder, desligar-se, também é uma forma (dura, porém grande) de sabedoria.

Abraço!

Will Carvalho disse...

excepcionalmente replicarei. Concordo contigo. Referia-me apenas às pessoas que amamos e acabam nos deixando pra estarem em outro plano. Mas há aqueles que lhes caem bem a borracha.

Nanda disse...

O mais complicado é quando esse sentimento vem de apenas um dos lados. O mais triste também!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Despedidas: doloridas que só... Mesmo necessárias, travam mais que caju verde...
Supero o luto/adeus, mas nunca me acostumo...

“Tudo que morre fica vivo na lembrança
Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça”

Você traduziu com delicadeza todo esse travo... Forte coisa...

Bj. Inté...

Fabrício Franco disse...

Will,

Desconheço formas de nos desvencilhar da dor da partida dessa vida de alguém que amamos. Só mesmo não gostando nada da pessoa, e, ainda assim a morte nos abala, queiramos ou não. Dos meus mortos, carrego a dor cotidianamente...

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Bem sei o que é isso. Nessas horas, é acreditar que - sempre! - haverá renovação. Assim como o prazer, a dor também é passageira.

Abraço!

Fabrício Franco disse...

Raquel,

A frase do Biquini Cavadão é apropriada. Talvez o melhor a fazer seja cremar os restos que ficam e espalhar as cinzas para que forneçam terreno para novidades. Mas o sabor da perda, isso nos acompanha.

Meu abraço, inté!

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

foto-grafias...
lindas em suas impressões - e em tuas palavras!

um beijo

Fabrício Franco disse...

Rafaela,

Grafar-nos - em quaisquer momentos - exige aquela observação - algo solitária - de perceber-se dentro ainda que nosso olhar seja forasteiro.

Um beijo!

Anônimo disse...

Ai!..."nuanças" da vida: conquistas, alegrias, perdas, angústias, decepções...
"Viver é muito perigoso..." escreveu Guimarães Rosa, na "fala" de Riobaldo - lembra-se?
...................................
CORAGEM, Poeta!
Qua a transparência e a alvura da PAZ sucedam a escuridão deste momento.
Meu abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício Franco disse...

Andrea,

A lanterna do seu carinho me iluminará, como de sempre.

Abraço, saudoso!

 
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