domingo, 23 de dezembro de 2012

Totem


Sou o vento que respira
sobre a melancolia do mar;
sou o abutre nas rochas,
rendido aos evangelhos do equilíbrio;
sou um golfinho e mergulho
nas profundezas da minha alma;
sou um desenho numa árvore,
sem compromissos além
da minha própria forma;
sou uma gota de óleo na água,
condenada a permanecer inabsorvida;
sou o esplendor do silêncio,
que é mais do que a palavra;
sou a imitação da rosa,
pendida na angústia da felicidade
de um buquê de noiva;
sou a cimitarra do quarto crescente,
ceifando este fiapo de noite;
sou tudo o que eu nunca lhe disse
dentro dessas margens.


18 comentários:

Nanda disse...

Sou a amiga que passou pra desejar um lindo Natal! =D

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Eu sou, também, aquele que agradece - sempre - a grande bênção de sua amizade.

Feliz Natal para você também!

Lyu somah disse...

Sou um novo seguidor do seu blog que de agora em diante passarei muitas vezes aqui. Adorei o post!
Lindo blog

Abração Fabrício

Lyu somah
http://lyusomah.blogspot.com.br/

Fabrício Franco disse...

Lyu,

Seja bem-vindo!

Abraço!

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

Nessas (des)matérias, acabamos encontrando essências...

Lindíssimos versos, Franco!

Beijos
E caso eu não passeie por aqui até o ano q vem, desejo muita luz, paz e poesia!

Fabrício Franco disse...

Rafaela,

Que os nossos caminhos poéticos se cruzem mais vezes nos próximos 365 dias! E muito obrigado pela leitura generosa que você faz do Logomaquia.

Beijo, com carinho!

Su Palanti disse...

Se você é o vento que respira,
também deve ser o sol que ilumina,
o barulho mudo da vida,
o pássaro negro que, ao sol, brilha
e aquele que diz nas palavras sutis

Bjusss

Fabrício Franco disse...

Suzana,

Sou, meramente, aquele que escreve - e isso já é muito.

Obrigado pela leitura generosa, durante esse ano!

Beijo!

Anônimo disse...

Excelente trabalho, POETA!
Depois de ler, reler...e tentar decifrar as metáforas, concluí que sou/somos todos, TOTENS: "brasões' do clã a que pertencemos.Eu gostaria de ser, principalmente " o esplendor do silêncio, que é mais do que a palavra".Mas sou prolixa! ("Prolixo... pro lixo!" diz José Paulo Paes).( Uso excesso de palavras, ao falar e ao escrever...) Acabo de me identificar com um trecho da obra: "O Coração Disparado" de Adélia Prado: "...escrevo cartas horríveis, cheias de espasmos, como se tivesse um piano e olheiras , como se me chamasse Ana da Cruz". Desculpe-me abusar de seu tempo! Prometo ser sucinta, nos próximos comentários.
Grande abraço, um 2013 de Paz, conquistas e POESIA!
Andrea Marcondes

Fabrício Franco disse...

Carissima Andrea,

Não se desculpe, gosto muito de seus comentários. Sempre espero por eles, quando posto novo texto, por aqui. E que venham, caudalosos, pois aí posso identificar, claramente, para onde vão minhas palavras.

Abraço, com intenso carinho!

Um 2013 supimpa, para todos nós!

Van disse...

Oi Fabrício

Palavras tem a pretensão de dizer tudo, mas o silêncio diz mais.

Nem se a poesia contar tudo que sentimos, ainda assim muito sobre nós ficará sem ser dito, pois somos o que dizemos e o que calamos.

Falar nisto acendeu-me uma luz a respeito do meu último post, onde julguei ter feito mais que um jogo aberto, que é o que faço sempre, mas desta vez simplesmente mostrei toda a minha mão de cartas durante o jogo. Mas, não foi isso, não é possível fazer isto!

A que grandes descobertas e conclusões os sentimentos dos amigos nos levam!

Beijos

Van disse...

Foi tão bacana esta leitura que até me esqueci dos votos.

Feliz Ano Novo, Fabrício!

Fabrício Franco disse...

Van,

A poesia tem esse condão de nos levar além de nós, além do que a palavra representa (ou julgamos que representa). A grande força da poesia é fazer-nos além de nós, pela escrita.

Que consigamos dar conta disso, cotidianamente!

Beijo!

Fabrício Franco disse...

Van,

Um poético 2013 para todos nós!

Outro beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

SER (assim maiúsculo), eis a questão. Ser tudo no nada... Diante da grandeza do seu texto, fiquei numa incompletude total... E isso é bom: desperta a vontade de mais...

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Ficou a dúvida: mais o que? Texto?

Beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

mais poesia, mais viagens, fotos, mais SER (em maiúsculo)...
Que graça tem uma vida completa???

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Ser é algo fluido, então nunca está completo, mesmo que queiramos.

Então, que haja viagem (e dinheiro para pagá-las), fotos...

Beijo!

 
;