segunda-feira, 29 de abril de 2013 18 comentários

Geometria


Matemático:
eu não tenho talento
para cateto.



domingo, 21 de abril de 2013 12 comentários

Imagem



Nada
se fez
de tão
diferente
do que
jamais fora
antes, e
momento
fragílimo,
ainda
assim
torno-me
estranho
como que
por instantes:

dissimílimo.

quarta-feira, 17 de abril de 2013 14 comentários

Alfaiataria


Dizem que o amor é cego
e que não sabe esses que une.
Dizem ainda que na urdidura da trama,
quando Moiras tecelãs cosem à vida
todos os percalços e triunfos,
elas nem percebem
os corações cingidos.
 

Nada há de fortuito aqui:
tenho a absoluta convicção
de que lhe enviaram a me fazer
significar o melhor que eu posso exprimir,
súbito rasgo da sintaxe
no léxico da rotina –
auge de um enredo
a ser tecido a quatro mãos.


quinta-feira, 4 de abril de 2013 16 comentários

Fantasmagoria


Ônibus noturno.
Citígrados em estase,
passageiros banhados
em obscuridade fluorescente
assentam-se taciturnos,
todo canto e fresta iluminados,
ninguém lançando
uma sombra sequer                                     – como um desmorto
que rondasse um rarefeito
castelo cárpato.

Há dois mundos                                                               (disjuntos)
: o realismo rigoroso e luzidio do interior
e o impressionismo externo,
onde luzes coloridas estilam
e se difundem pela escuridão,
lambuzando pupilas,
borrando e fluindo
sobre uma tela dinâmica de noite.
Um acervo que se perde
no grande ventre do nada
ao que o ônibus estaciona
e embarca mais fantasmas combalidos,
outros avantesmas que se amesquinham
a um instante do colóquio gratuito.



 
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