“Até no riso o coração sente dor
e o fim da alegria é tristeza”
(Provérbios 14:13).
O problema é o de sempre,
esse acabrunhamento que se dá.
Minha melancolia tem premissas tautológicas.
Parece que o firmamento vai desabar
sobre a larga hesitação de meus tropeços.
Cada respiração ganha o peso de uma bigorna.
Eu busco palavras sem sucesso
no escaninho da inspiração,
algo que purgue esse pesar, que pacifique
essas colisões de frentes emocionais em meu peito.
Mesmo na ledice ligeira de um sorriso,
o contentamento vem embrulhado
numa tristeza de papel fino.
Com uma precisão prussiana,
o desalento entra (desconvidado)
por reentrâncias, por frinchas de biombo
e envilece os dias.
Eu me faço de insurgente:
se eu pudesse ao menos
acertar meu horizonte íntimo,
alterar as rotas, mudar os ventos, rasurar os planos...
Mas o destino é aritmético.
Refaz caminhos, corrige hereditários,
escopo de forças rascunhados
na entrelinha da mão.
Quem nasceu para fado nunca será samba.






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