Sua voz imerge em mim
no seu escafandro de som,
mergulhando
para além
de meus arrecifes
à tona,
das minhas marés revoltas.
Rumor
na arrebentação da onda,
sua voz
é preamar
vociferando
nos calcanhares da praia,
umedecendo de vagas fartas
o atol da orelha.
Sua voz é Jonas
e faz
dos meus ouvidos
sua baleia.
Sigo um certo rastro de vida
que não me leva a lugar algum.
Aceito relações feitas de acaso
e circunstâncias: onde
acontece estar meu corpo.
Na verdade,
vivo para buscar
a parte rebelde de mim,
que descansa no sem fôlego
de uma noite sozinha,
vazia,
amarga de insônia.
“O meu ofício é ter alma”.
Mas ainda me desconheço:
entre o que sou e eu
existe um hiato,
virgem como uma dançarina
sem coreografia.
Vozerio.
Frenesi.
Efervescência.
A música não se basta.
Balizas de uma festa.
Colo em meu rosto um sorriso
para entrar no tom.
A noite caiu
violentamente
sobre os ponteiros
de minha sanidade.
A insônia
me vigia,
com aquela
perseverança
que só
ela. Eis que
estou aqui
provocando
precisamente
a palavra
que não
vem.
;
- Follow Us on Twitter!
- "Join Us on Facebook!
- RSS
Contact