segunda-feira, 2 de novembro de 2026 20 comentários

Quiromancia


Há rios secos nas mãos,
                                                   onde o destino encalhou.

domingo, 4 de outubro de 2026 12 comentários

Um outro ruído



Sob o silêncio a pino,
caio no regaço da palavra,
que o resto é ressonância.



domingo, 6 de setembro de 2026 12 comentários

À flor da pele



Eu sou o punhal e a ferida,
eu sou o sopro e o gesto,
suspeitados no imprevisto
de um cálculo de probabilidades.
No fio da navalha
entre o orgasmo e as lágrimas.
Estou compartimentado
nos sete fôlegos do espelho,
nos milímetros do rosto,
no silêncio
transbordado por instantes,
alinhando a palavra
na álgebra do momento.

Desmorono, permaneço,
edifico e me desfaço.
Gigoloteando frases alheias:
“yo sólo quiero que me lleves”.



segunda-feira, 3 de agosto de 2026 16 comentários

Da estratégia da fênix


Disparei o coração
na fluência do tráfego,
bem na hora do rush.
Lancei meu sorriso aos pombos,
numa dessas tardes de domingo.
Dissolvi oração e silêncio
nos braços constelados de carências.
Crivei o olhar de canções tristes
e me alastrei sobre nostalgia.

Mas não se engane comigo,
rasgo o invólucro. Deslindo-me:
é só a minha punção de mártir
em busca de um outro
passatempo para o corpo.


 
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