quarta-feira, 2 de março de 2016 14 comentários

Movimento rápido dos olhos


Nômade, contra os ventos,
na vertigem dessa madrugada,
que passa seu tempo
colocando nos faróis uma dança
de sombras e sugestões.
Vou esbarrar comigo por aí,
aparando minhas arestas
para não cair do corpo.
(A realidade cadastrada na memória
é falha e já nem sei mais quem sou).

A metrópole em esclerose
desorienta meus gestos,
exaustos de tantas etiquetas.
Enjoado da poética mortífera
dessa era de hipérboles,
faço meu último movimento
sob o céu instável:
eclipso-me na incerteza
dos plurais.
(Já não quero ser “eu”,
é mais fácil ser “nós”).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016 10 comentários

Efeméride


Agora
não é antes
nem depois.

Assim como ontem
nunca será
amanhã,

embora

faltem exatas
quarenta e oito horas
para que amanhã seja ontem.
 
domingo, 3 de janeiro de 2016 12 comentários

Janela


A manhã,
que se forma já por dentro
consumida, sói
num solo de retinas
: dói nos olhos.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015 14 comentários

Segunda pele


O tempo se dobrou
e não dei importância
ao primeiro vinco.

Acreditava que o passar
de meus dedos
pudessem suavizá-lo de vez.

As rugas, hoje,
fazem parte do sorriso.


 
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