sábado, 26 de março de 2011 10 comentários

Feliz aniversário


Hoje não é um dia qualquer.
Afinal de contas, aniversário é
uma vez só ao ano. Quero
que esse dia seja mais
do que simples tapinhas nas costas,
apertos de mão, salgados, bolo, velas.

Quero, sobretudo, que você seja feliz.

Feliz nas pequenas coisas.
Elas é que dão à felicidade
oportunidade de se acercar de você,
silenciosamente, e destas
pequenas felicidades inesperadas
é de que é feita a vida.
Celebre-se a si mesmo.
Que possa sempre haver
alguma coisa que você queira
aprender, algo que queira fazer,
um local que queira ir,
alguém que queira encontrar.

Que você nunca perca o interesse pela vida.
Hoje você não ganha apenas idade nova.
Ganha um ponto importante
na batalha cotidiana pela felicidade.


(Feliz aniversário, meu irmão!)

quinta-feira, 24 de março de 2011 10 comentários

Difícil


Admiro sua audácia e persistência 
ao avançar destemida sobre minhas fronteiras,
mesmo sabendo-me armado e defeso.

Não sei o que fez minha cotação
subir na sua bolsa de valores cardíaca:
meus lucros nunca foram tão grandes assim.

Mas que fique claro, de uma vez por todas,
que o shiatsu no meu ego não é
pré-requisito para minha satisfação.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 10 comentários

Esse nadifúndio


Segunda-feira, imensa desolação a céu aberto.
Pondero a singeleza dos meus cadarços,
como se uma filosofia, uma vida noturna,
pudesse ser elaborada dali,
deixo as horas deslizarem, distraídas.

O calor da tarde dá morada à lentidão da alma.
Temos tempo.

Não que haja muito a dizer
: a nostalgia carcome, voraz,
as notícias de sempre.
As vitórias são as mesmas,
raquíticas, pele e osso.
De ser feliz não se sabe,
nem há notícias de Deus.
Morrer é fácil, não há justiça.
Horas de trégua ainda há,
quando se afiam as facas.
Entretanto, nada significa,
irrisório e medíocre.
Sob a ferida exposta da mais-valia,
concluímos: viver, na verdade,
é um jogo de desarmar.


domingo, 6 de fevereiro de 2011 10 comentários

Sobre a leitura do poema na canção

)
Para Martin Gore
(

Toda canção se inclina
na direção do seu silêncio.
Todo poema se prolonga
para sua última palavra.

Silêncio onde
repercutem os sons
que o prepararam.

Última palavra
que reverbera todas
as que a antecederam.

 
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