Não o beijo, mas o calor dos seus lábios em minha pele. Não o físsil de suas pernas, mas o compromisso de mais estros arraigados. Não a cópula, só o cio que vaga lasso pelo corpo. Cintila na íris o flerte, dança de subentendidos. No duelo com o desejo, saco antes da dúvida: com a língua em riste, mergulho minhas papilas numa galeria de obscurantismo e viscidez, provo do sabor da fruta à véspera do próprio açúcar.
De tal modo amo, que faço o próprio Eros abrir com faca o esplendor de outra manhã.
Caprichosamente, o elenco da tarde polvilha de mínimos sons – um trinado, um sopro, um rumor ao longe – céus fartos de amarelo quase pálido e embaçado – daqueles que só se veem em obras gastas e por pouco totalmente preteridas em baús – esmorecendo vagarosamente o fluxo dos minutos até a teia de aranha cessar de se agitar e, tanto o inseto condenado e eu nos darmos como aceito que nada há mais o que fazer.
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