escrita a cinzel
em algum lugar em meus pergaminhos,
num mais fundo em mim,
que estava reservado para outra caligrafia,
após tentames falidos e, apesar disso,
foi se refazendo devagar à sua imagem,
com carinho e simpatia e encanto,
com toda a surpresa que faz a vida valer à pena,
demorando-se nas reentrâncias de um sorriso desbragado
e num olhar que me fita distante e tão aqui.
E então, subitamente, você é
– linda harmonia ainda
que cacofônica –
para todo mundo ouvir
musicada em meu coração.
Escrito por
Fabrício César Franco
resíduos abandonados,
em meu acervo de resquícios.
Conservo estilhaços de aflição,
angústia em cacarecos,
uma coletânea de suplícios.
Guardo quimeras despedaçadas,
lascas de amargura,
tombos diante de precipícios.
Colijo toda forma de naufrágio,
fragmentos de logros e embustes,
o cadafalso de cotidianos malefícios.
Preservo o luto dos ludíbrios,
a lástima amarga dos enganos,
o pesar de todos os vícios.
Coleciono a escória da consternação,
dos amores mutilados
e a brutal inutilidade de seus sacrifícios.
Escrito por
Fabrício César Franco
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