Minha vontade estende
seus olhos longos para a folha.
A introspecção da paisagem:
fazendo massa crítica para escrever.
Olímpica em sua indiferença,
a musa fica lívida:
e me dá um branco.
A cúpula do céu,
repartida em poças,
após a chuva.
Sou o vento que respira
sobre a melancolia do mar;
sou o abutre nas rochas,
rendido aos evangelhos do equilíbrio;
sou um golfinho e mergulho
nas profundezas da minha alma;
sou um desenho numa árvore,
sem compromissos além
da minha própria forma;
sou uma gota de óleo na água,
condenada a permanecer inabsorvida;
sou o esplendor do silêncio,
que é mais do que a palavra;
sou a imitação da rosa,
pendida na angústia da felicidade
de um buquê de noiva;
sou a cimitarra do quarto crescente,
ceifando este fiapo de noite;
sou tudo o que eu nunca lhe disse
dentro dessas margens.
Caminho em espirais
rumo a lugar algum.
Tenho meus compromissos
moldados na lentidão,
sem os velhos embustes
que me venham por ajuda.
Tenho essas reticências
que se alastram.
Eu aguardo.
Mas o que é essa vigília,
se no final das contas
o que almejo é o termo
do desvelo e precisamente
no meio desse tempo
é onde me espreita
o significado das coisas?
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