terça-feira, 23 de agosto de 2011

Fluvial


 )
Às margens do São Francisco, dez anos depois
(

A surpresa, o engasgo do instante. 
Eu simplesmente não estava preparado 
para tanto azul, assim tão caudaloso, 
nem para a majestade de tanta água. 
Meus ribeirões sempre foram cheios de lodo, 
estanques e sóbrios, 
nauseabundos pelo esgotamento 
paulatino e axiomático. 
E agora, esse rio prestes nos olhos 
vem me percorrer com uma força zen 
tornada manifesta, um deleite 
de dilatar as pupilas. 
Agosto estua e tudo 
imprime enredos na torrente
: conluio de fluxos que me fizeram 
desaguar no desenfado destas margens.

6 comentários:

Princesinha Parabólica disse...

Que lindo! Curti!

Fabrício Franco disse...

Rillana,

Obrigado pela visita! Bom saber que estou sendo lido por você.

:D

Simone disse...

Não me atrevo a fazer comentários, só posso falar que, espero que continue aqui por mais dez anos. Lindo!!!!
Beijos!!!

Fabrício Franco disse...

Simone,

Atreva-se a comentar, gosto muito. Quanto a continuar por aqui, só o tempo dirá. Mas pelo que vi, nesses últimos dez anos, a cidade é convidativa.

Beijos!

Raquel Sales disse...

Poeta,

Os anos passaram e a agonia das águas das Minas está de fazer dó...
O Rio que era Doce acabou-se... não chega mais ao mar.
O Piracicaba já não é mais o lugar onde os peixes se juntam...
Em Ipatinga já não pousa água limpa...
O Jequitinhonha???? Acabaram-se os jequis e as inhonhas...
Nem o grande e Velho Chico escapou...
Tá uma tristeza.... O sertão, agora, é aqui...
Felizmente, ainda há salvação... Ainda há inciativas para tirá-los da UTI... Só não sei se vai dar tempo. Na dúvida, façamos a dança da chuva.

Abraço e boa semana.

Que venha o tempo das águas

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Soube do Rio Doce. Fiquei desolado. Não sei o que advirá. A crise das águas, tema só de ficção científica, agora é possibilidade concreta. Não há dança da chuva que acalme, que faça trazer os rios de volta.

O futuro é cada vez mais aterrador.

Abraço!

 
;