domingo, 18 de setembro de 2016 10 comentários

Girassol


Havia o escuro,
mas eu não sabia onde:
seu rosto era o sol.


segunda-feira, 8 de agosto de 2016 8 comentários

Narcolepsia


A exaustão toma conta.
Minhas articulações doem em revide, 
fracas demais para qualquer coisa. 
Sem indultos, sem alívio, 
anseio pelo sono, 
antecipo o torpor que virá. 
Ouço o travesseiro invocar meu nome – 
do outro lado do cômodo, ele sussurra, 
tonitruante em meus ouvidos. 
Olhos se fecham contrafeitos, 
já não vejo a tela através 
das lágrimas de bocejo. 


Estou perdendo velozmente esse duelo. 
                                   Não posso dormir!
                                   (Como se a escolha fosse minha). 


Minuto a minuto, 
a contenda prossegue 
até findar meu turno
: desabo na cama a tempo 
de descobrir que estou 
completamente desperto. 


Na peleja com a fadiga, 
a insônia acabou por vencer.
sábado, 2 de julho de 2016 8 comentários

Terra-a-terra


Fui riscado do seu mapa,
mas não desisti
da sua geografia.

quarta-feira, 8 de junho de 2016 12 comentários

Loa ao olho


Um ídolo que requer segredo, o olho 
não tem matiz discernível e confere 
ao espectro o que lhe falta

: as cores se refratam 
                e colidem 
                e formulam o visível. 

O olho é um zero 
difratando o tempo 
                e a água. 

É pelo que revela: 
uma condição de vantagem, 
um contrato 
                com o que se percebe. 

O olho é nada 
que já se viu.

 
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