quarta-feira, 20 de março de 2019 2 comentários

Meio assim


Vez em quando nos hospedamos uns nos outros,
serendipidade transitória prometida em olhos alheios,
a urgência da busca numa terça-feira de março,
ano que só começa agora, mas com dias já tão feios,
agenda cheia – senhor! – tantos compromissos,
e notícias que só dizem de ziquiziras e tiroteios.

O que significa? O que permanece?
O acaso fugaz de olhares trocad
os, a crosta do afeto,
a palavra onde levantamos abrigo
e essa recusa atrevida de não ser só
objeto.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019 2 comentários

Reflexos


 
                                              No espelho,

as coisas que tu vês em mim               as coisas que vejo em ti
dizem mais de ti                                           dizem mais de mim
do que de mim.                                                          do que de ti.

                                      Que imagem é vista?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 2 comentários

Afã

)
Um haikai para Indi
(

Um só intento: 
tatuar este meu beijo 
em tua boca.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018 2 comentários

Pois então


Perdemos o trem, não o rebolado.
Apostamos no humor contra todos os males.

Dos clichês, fazemos um achado,
e driblamos o lugar-comum nos detalhes.

Amor e arte fermentam o pão de todo dia.
Pouca ou muita, a fé move cordilheiras de medos.

Prosa de vez em quando nos falta, nunca poesia.
A alegria até arrisca raízes nos cotidianos enredos.

O chão é duro, tudo exige paciência e atenção.
Nosso engenho engana a sorte e se traça na escrita.

No final do ano, a esperança nos visita na contramão
e nos impele: insista, refaça, repita.

 
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