domingo, 8 de maio de 2011

Teofania


No escuro, o menino perguntava 
          (o que é o mundo?)
apenas para escutar sua tia afirmar
          (uma casa dentro de uma casa)
ou simplesmente para sua mãe responder
          (uma ala inacabada do céu).


Como alguém poderia adivinhar,
naquela casa, e nas outras que se seguiriam,
que a questão encontraria
seu começo de resposta
crescendo dentro daquele que perguntou,
aquela criança insone,
o predileto da noite?
Mais tarde, já adulto
deitado na assonia,
ele se pergunta outra vez,
meramente para ouvir
o silêncio assaltá-lo


          (essa noite se arqueando sobre sua admiração,
          o fado próximo que se achega na alcançadura)


e se lembrar que durante
essa parca intermitência,
esse imenso adeus
que se prolonga,
cada um deve fazer
do seu peito um sacrário,
antes que uma visita
tão estrangeira e esquiva
como Deus se avizinhe.


8 comentários:

Anne Barreto disse...

Ei, já disse que adoro as coisas que vc escreve?!
Esse tá muito massa!!!
Parabéns letrista amigo querido!
;)

Fabrício Franco disse...

Anne,

... Você só fala isso porque é minha amiga! Obrigado pelo carinho. Gosto de saber que sou lido por ti.

Obrigado pela visita e volte sempre!

Beijos!

Van disse...

ah! não deve ser só porque é sua amiga que a Anne diz isto , não.

Seus poemas são incríveis, Lindos e inteligentes

Beijo Fabrício!

Fabrício Franco disse...

Van,

Obrigado por seu carinho também, com palavras tão elogiosas para mim. Gosto de escrever, tão somente. É meu modo de dar vazão ao que se passa aqui dentro em mim. E tendo a possibilidade do contato próximo com quem me lê, ah!, isso é o que é o mais divertido!

Beijo!!!

Nanda disse...

Dizem que o mais importante é o caminho e não o ponto de chegada, certo? Acho que se aplica aqui; durante toda a vida ele foi se preparando pra encontrar a resposta. Beijos.

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Você trouxe à baila o cerne do meu escrito: preparamo-nos a vida inteira para esse encontro, cotidianamente.

Obrigado pela visita!

Beijos!

Anônimo disse...

FABRÍCIO,
Sempre admirei sua habilidade (linguística? semiótica?)na escolha dos títulos de seus textos. Neste, TEOFANIA (Manifestação de Deus), sem dúvida, o título é chave conclusiva das idéias!
Um grande abraço,
Andréa Marcondes

Fabrício Franco disse...

Andréa,

Sei que o tema lhe é caro. Por isso mesmo, esperava sua manifestação. Fico contente que eu tenha lhe agradado.

Abraço enorme!

 
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