na fluência do tráfego,
bem na hora do rush.
Lancei meu sorriso aos pombos,
numa dessas tardes de domingo.
Dissolvi oração e silêncio
nos braços constelados de carências.
Crivei o olhar de canções tristes
e me alastrei sobre nostalgia.
Mas não se engane comigo,
rasgo o invólucro. Deslindo-me:
é só a minha punção de mártir
em busca de um outro
passatempo para o corpo.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Identidade,
Impermanência,
Inquietude
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Da estratégia da fênix
Escrito por
Fabrício César Franco
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Elucubração,
Impermanência,
Inquietude
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Itinerários de Sísifo
Conforme nos rendemos
às estrições desse tempo,
às agendas atulhadas
de coisas por fazer,
aos canhotos dos cheques
marcando
impiedosamente
os valores devidos
ao próximo mês,
tornamo-nos um
borrão indistinto
(desatino dos astrolábios)
na ginástica dadaísta das ruas,
onde somos tão só
a roda de um
invisível moinho de galés.
Escrito por
Fabrício César Franco
O truque, dizem,
é se deixar para trás,
disfarçar-se
no corpo inconsiderado
de um homem que sempre fui
destinado a ser
e acelerar minha pressa
em direção aos compromissos assumidos.
A testa expõe seus vincos,
como se a antever
o que virá:
a lemniscata do ponto de interrogação,
o adelgaçamento da paciência,
da fé,
da confiança.
Mas aqui onde
o dialeto não consiste
de palavras mas de horários,
não importa a presciência.
Há simplesmente algarismos.
Há simplesmente a agenda,
escondendo em seus cronogramas
o ano que se agrisalha
quotidianamente,
o para sempre que vamos
deixando escapar
a todo o momento.
E nós rogamos
para que os trincos
velem as amarguras,
que as portas fechadas
filtrem as decepções,
que no fim de cada dia
haja algo que tenha
feito sentido,
qualquer um.
Escrito por
Fabrício César Franco
Percebo as pequenas coisas:
o zumbido de uma geladeira,
o atrito do tecido
de uma camisa antiga
contra a pele, o som
dos saltos de madeira
sobre o cimento arenoso,
o sentido
de uma conta telefônica
vencida.
Quando se
pára para
pensar, a maior
parte da vida
é senão
um acúmulo
de pequenas coisas,
como geladeiras
que zumbem ou telefones
cancelados.
De certa forma,
sou como
um velho amanuense,
espanando
as superfícies
da minha vida.
Perscrutando
o ordinário, em busca
de uma conexão
subjacente.
Escrito por
Fabrício César Franco
domingo, 18 de junho de 2023
Equilíbrio,
Identidade,
Impermanência,
Itinerário
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Destino
Perco-me
mais e mais,
assaz desatinado
para ter noção alguma
de qual é o norte
dessa bússola,
indo parar quase
exatamente
onde eu queria
estar.
Escrito por
Fabrício César Franco
Nossas despedidas cotidianas
somente foram ensaios para a cena final
: esse adeus numa manhã quarada de maio.
Em tinta, a tez do luto sobre o papel.
Sou todo ao convulso. Procuro razões.
Não há mais como
identificar a cor sem
embalsamar o camaleão.
O dia estaciona e a realidade
desce em mim feito avalanche.
Já não somos. Fomos.
Escrito por
Fabrício César Franco
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Efeméride,
Impermanência,
Inquietude,
Melancolia
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Peripécia
súbito silêncio dos pneus.
Nos lábios da calçada,
a formiga afogada em vermelho
e a bola perdida.
Nos lábios da calçada,
a formiga afogada em vermelho
e a bola perdida.
Escrito por
Fabrício César Franco
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Elucubração,
Impermanência,
Inquietude,
Melancolia
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Catalepsia?
Dizem que a vida é o que nos acontece
quando não dão certo
os nossos planos.
Cá, comigo,
eu me pergunto:
e quando já não os há?
Morte, decerto,
não. Inda
dói.
os nossos planos.
Cá, comigo,
eu me pergunto:
e quando já não os há?
Morte, decerto,
não. Inda
dói.
Escrito por
Fabrício César Franco
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Elucubração,
Equilíbrio,
Identidade,
Impermanência,
Itinerário
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Caminhantes
)
A partir de um poema de E.M. de Melo e Castro
(
e é então possível
medir a extensão
do andar de um homem.
Ainda que esse tamanho
não seja preciso ou reiterado
mas, quem dá um passo, anda
e é andando que se chega.
Onde chegamos
muito nos define,
bem como as distâncias
construídas com nossos caminhares.
Pois estas são nossas
medidas, assim determinadas
pelas nossas pegadas, que ficam.
Escrito por
Fabrício César Franco
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Efeméride,
Elucubração,
Equilíbrio,
Iconoteca,
Impermanência,
Quietude
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Jardim pênsil
Escrito por
Fabrício César Franco
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Iconoteca,
Impermanência,
Itinerário,
Melancolia,
Quietude
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O silêncio das sereias
O horizonte sujeito
à perspectiva,
o longe que está
talvez logo ali.
E no cais do porto,
um barco
à espera da mudança
das marés.
Escrito por
Fabrício César Franco

)
do Diário do Confinamento
(
ocupamo-nos com a busca de certezas que não há.
Confundimos acaso com escolhas,
nossos rótulos e moldes com as coisas em si,
os registros de nossa lembrança com história.
Assim, não é bem o que nos acontece —
mas o que sobrevive
aos consecutivos naufrágios
de nossas vontades, cogitações e memória.
Escrito por
Fabrício César Franco
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Elucubração,
Impermanência,
Inquietude,
Itinerário,
Prelúdio
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Percepção
)
do Diário do Confinamento
(
Fato primário e brutal:
mesmo quando nada está, algo acontece.
Quietude também é progresso,
ainda que ardentes devotos da produtividade,
baralhemos ocupação com eficácia
e movimento com avanço.
Coisas tantas
que achamos
que entendemos,
até
que
sustamos.
Escrito por
Fabrício César Franco
)
do Diário do Confinamento
(
A gente vai aceitando as coisas, todo dia,
até que se concretizam em couro de provérbio:
de estória ou fanfarrice à razão absoluta.
Sedimento repetidas vezes assentado, lia,
e ainda assim, ecoamos convictos:
contra a praxe não há disputa.
Ofendemo-nos com as verdades da minoria
que fustiga o instável alicerce de nossas fés
e prosseguimos nessa pirraça resoluta.
Até que chega o momento, todavia,
quando a vida (a morte?) pulveriza tudo
e só nos resta continuar na labuta.
Escrito por
Fabrício César Franco
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Elucubração,
Impermanência,
Inquietude,
Melancolia
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No viveiro
)
do Diário do Confinamento
(
Aqui está a saudade e a tristeza de uma vida
que era minha e da qual eu não queria
que assim se estilhaçasse tão abruptamente.
Tal a trajetória de um peixe no aquário,
atravancada pelo vidro,
a sina é continuar,
apesar de,
até.
Escrito por
Fabrício César Franco
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