segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Caixa de Pandora


Guerrilha de informação,
reduzindo a comatosos
todos os fãs de telejornais.
replay configura
um diverso balé:
o corpo que cai,
cem vezes
alvejado pela metralhadora,
é mil vezes
perscrutado pela câmera.

Guerra de slogans,
grafitos em chamas,
mensagens não percebidas.
A razão em linha de fuga.
O show da vida,
a vida em show.
Dissolvendo as antenas
parabólicas da certeza.
Invadindo a cabeça
complacente do rebanho.

Mas querer ter muita convicção
não leva a muita coisa:
a angústia sem soluções
é o leitmotiv da década.


(Meu primeiro poema "publicado", Revista do Corpo Discente da UFMG, há 25 anos).

12 comentários:

Su Palanti disse...

Parabéns pelas bodas de prata! Este é o casamento mais perfeito, porque não nos cobra nada, apenas nos dá a extrema felicidade de apor palavras e ideias sem querer nada em troca.
Bjuss

Su

Nanda disse...

Parabéns pelo aniversário tão importante. E o melhor: seu escrito continua atual - vamos apenas acrescentar a web nesta equação. Mais uma vez, parabéns!

Lucas Montenegro disse...

Ainda continua muito atual a crítica né, talvez até mais, salvo que hoje existem ainda mais coisas que poderiam lhe provocar a inspiração para escrever essas palavras. Gostei muito!

Abraço!

Fabrício Franco disse...

Suzana,

Obrigado, minha cara! É interessante poder olhar em retrospecto e perceber que a maior parte da minha vida aconteceu "em poesia".

Beijo!

Fabrício Franco disse...

Nanda,

Grato por demais pela sua leitura generosa. Você esteve por aqui desde o Logomaquia, primeira versão. E sim, hoje a web também está presente nos pertences de Pandora.

Abraço!

Fabrício Franco disse...

Lucas,

Seja bem-vindo por aqui. Quanto à crítica, é como aquele ditado francês: "plus ça change, plus la même chose", ou quanto mais se muda, mais do mesmo. Obrigado pela visita!

Abraço!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA, há 25 anos, você "um garoto universitário" já produzia textos como este! TALENTO PREMATURO!
...................................
A vida corre!...Veja o que diz o Professor Mário Sérgio Cortella; "A velocidade da mudança é a novidade do mundo contemporâneo(...) Hoje tudo é "fast".Cenários turbulentos, mudanças velozes: acomodar é perecer."
...................................
Continue seu TRABALHO! Aproveite
seu DOM!
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Nos últimos 25 anos, no máximo, substituímos a TV pelas redes sociais... Assim sendo, seu poema continua atual. Esta outra qualidade dos seus escritos.

Parabéns...
Bj



Fabrício Franco disse...

Andrea,

Bom é saber-me lido nesse quarto de século por um olhar tão atento quanto o seu. Sou muito grato pelas indicações de rota, pelas correções de tom, pelo acompanhamento rumo à palavra exata.

Com grande carinho, meu agradecimento!

Fabrício Franco disse...

Raquel,

Obrigado pelo elogio. Como dizia um antigo chefe meu, "a única obrigação do homem é ser contemporâneo de si mesmo". É isso que tento, com meus escritos.

Beijo!

Van disse...

Oi Fabricio

Maravilhoso isto, você já começou arrasando poeticamente, com um tema que parece ter sido escrito nos dias de hoje, de lá pra cá as coisas neste aspecto televisivo só pioraram.

Concordo com cada linha escrita e não dou nem um minuto de audiência para o show que fazem da vida, vendendo ao povo tudo aquilo que seria o menos indicado a comprarem.

Beijos

Fabrício Franco disse...

Van,

Muito obrigado pela visita! Gosto de ter suas palavras por aqui. A TV, acredito eu, só reflete o que queremos ver. E infelizmente, o gosto popular é de uma crueldade imensa.

Beijo!

 
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