quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quebranto

)
À Soneide Caetano
(

A distância entre os corpos nossos 
não sentencia, apenas insinua
o afastamento.
A solidão não se ergue, simula-se,
situa-se enquanto vai sendo.
Síntese:
aceitamos a dissimetria,
na surdina dos sufocados.


10 comentários:

Fernanda Fraga disse...

Abre-se um espaço, como preenchê-lo?
Aplaca-se tantas ausências, meras ilusões, supridas por lembranças,partes nossas no vácuo do tempo.
Beijos.

Fabrício César Franco disse...

Fernanda,

O vazio - vezes tantas - é preenchido, precariamente, por palavras: poemas, contos, textos... A falta do outro, o que nos foi impossível viver, isso fica para a literatura (ou sonhos, que são literatura não impressa).

Um beijo e obrigado pela visita!

Su Palanti disse...

Deu-me até vontade de chorar... Porque será que insistimos em viver solitários ainda que ao lado de outrem?
Bjuss

Fabrício César Franco disse...

Suzana,

E nesse caso, em particular, nem foi vontade de viver solitário. Foram as situações em torno que nos levaram a isso. Quantos de nós não somos forçados a não-viver uma relação?

Beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Mesmo num belo poema, como o seu, solidão é prato difícil de digerir. Não há enzima que hidrolise tamanha dor. Aff!!! Lido com as saudades, jamais com a solidão.

Que Deus nos livre desse banquete.

Inté

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

... Vezenquando, somos obrigados a participar desse festim infeliz, sendo nossas próprias dor e falta o prato principal. Indigesto, como você mesma disse.

Um abraço! Inté!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Separações são sempre dolorosas... Mas, muitas vezes, necessárias.
....................................
E, sobre o título QUEBRANTO: segundo a crendice popular, é o efeito malévolo que a atitude, o olhar de algumas pessoas produzem em outras. No texto, pelo que observo em você e "de você", acredito seja:QUEBRANTAMENTO(ato de trazer alívio, calma.../sic!)
Grande abraço,
Andrea Marcondes






















Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Sua observação, mais uma vez, está correta. No caso em epígrafe, houve mesmo, ainda que não pudesse provar, influências externas negativas para que a separação acontecesse. E, ainda, pelo mesmo dicionário, QUEBRANTO pode ter o sentido de prostração, de aniquilamento da vontade após uma acontecimento desfavorável...

Abraço, com carinho!

Rafaela Figueiredo disse...

A aceitação às vzs é o melhor passo para se seguir em frente...
Sempre bom te ler, Franco.

Bjo

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

Difícil é entender isso e desapegar, quando o sentimento parece nos dizer que o que temos em mãos é o melhor para nós, desde (e para) sempre. Só que não.

Beijo, poetisa!

 
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