sábado, 23 de março de 2013

Lugar comum




A geometria de uma noite de sábado,
aos poucos, se completa.
Deixo entrar
um luar sem atenuantes
pela janela do quarto.
Empreendo uma viagem visual
pela cidade: as adagas esguias
dos edifícios me insulam
ainda mais.

Eu vegeto.

Estou mais só
do que eu mereço.

14 comentários:

Fernanda Fraga disse...

Que o luar se abra e eis que se ilumine o estar só,sem nunca estar.

Um beijo.

Fabrício César Franco disse...

Fernanda,

Que seus votos façam com que o luar me traga aquela que me é companhia.

Beijo!

Renata de Aragão Lopes disse...

uma solução lógica
para uma solidão geométrica:
largar o compasso,
quebrar o esquadro,
esquecer o transferidor.

a álgebra
e todos os seus problemas
parecem tão mais humanos...


Abraço doce de lira!

Fabrício César Franco disse...

Renata,

Fiquei muito encantado, emocionado mesmo, com seu comentário. Muitíssimo obrigado por uma comentário tão gentil e pela leitura tão generosa do que escrevo.

Abraço, com carinho!

Renata de Aragão Lopes disse...

Como eu disse no facebook, brinquemos de equações, amigo. rs

O prazer foi todo meu em dialogar contigo.

Rafaela Figueiredo disse...

Pictografar um quadro (paisagístico e anímico) em poucas palavras, em tão bonitos versos, é mesmo para poucos.
Vc realmente não merece, mas não deixa por menos!

Bjo, poeta!

Fabrício César Franco disse...

Renata,

Que as equações nos levem a soluções (poéticas, sobretudo) mais fáceis de se levar a vida.

Seja sempre bem-vinda por aqui.

Outro abraço, mesmo carinho!

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

... Muitas vezes, o que nos resta, tão somente, é a palavra.

Um beijo!

Su Palanti disse...

Não faça mais cálculos geométricos
Faça planos
Não há noites de sábado que se passem em vão
Não vegete, você não está só...

Bjuss

Fabrício César Franco disse...

Su,

Não há muita escolha, caríssima. O cerco da rotina se fecha, e, muitas vezes, só me resta me ajeitar - como posso - para caber nele.

Beijo!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
O título (como ocorre em seus textos) é INQUISITIVO... Confesso não ter traduzido seu objetivo. Seria pelo fato de ser a SOLIDÃO uma DOR que acontece a TODOS NÓS que desejamos a companhia daquele(s) a quem amamos?
Grande abraço. Apesar da distância, estou ao seu lado, com meu apreço e admiração.
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Caríssima Andrea,

O título se refere, mesmo, ao fato de todos estarem - em algum momento ou outro - na posição em que estive, sozinho. A solidão como um lugar comum a todos.

Abraço, com carinho!

Raquel Sales disse...

Poeta,

"Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela (...)
Eu vejo tudo enquadrado" (Adriana Calcanhoto)
Mas o luar é sempre boa companhia. Ilumina o enquadrado, sem ofuscá-lo... é alento em noite escura...

Que haja mais noites enluaradas...

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

A lua foi minha guardiã e aliada durante incontáveis noites. Hoje, prefiro não abusar da presença dela, querendo ousar além do confinamento. Há que se viver, fora dos limites que nos enclausuram.

Obrigado pela visita!

 
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