segunda-feira, 13 de maio de 2013

Elegia para os amantes arrasados


Não há sepultura profunda
o suficiente para esconder
o que quero enterrar,

nenhum forno
satisfatoriamente cáustico
para carbonizar-nos em pó.

Nosso passado é Hiroshima,
e nós somos
sombras corrugadas
cauterizadas nas paredes.


24 comentários:

Luísa disse...

Muito bom!

Anônimo disse...

Fabro, o que eu tenho de sombra corrugada, olha, é muita parede, viu!?

beijo, muito linda sua poesia. a dor só suportamos na beleza das palavras.

obrigada, sempre. :)

Patricia.

Ana Paula Cardoso disse...

Fabrício,
Seu texto, de sensibilidade ímpar, traduz, com maestria, a dor do rompimento de uma relação a dois. Gostei muito dos tons fortes impingidos ao texto, vez que a dor do rompimento, de fato, não nos dá alternativa. A lembrança está ali, forte, corrosiva, saltitante.
Abração.

Elem Rosa disse...

Também entendo que a sepultura não é o lugar para essas lembranças. Desafio-me diariamente a conviver na minha casa com isso que ficou e isso que falta.

Will Carvalho disse...

Intenso!

Mas acho que o que não podemos ver é que o "Eterno enquanto dura" não serve apenas para o amor, mas também para a dor. Sendo que para o amor isso é um desejo e para a dor, uma realidade.

Abs!

Wesly Benevides disse...

Muito bom, mesmo, eu resumiria o que você faz como, A emoção da imagem se ela fosse lida em vez de vista, como posso dizer, é como os cegos veem o quadro, pelo ouvido, sentindo o que é e não o que parece, se é que me entende.

Fabrício César Franco disse...

Luísa,

Muito obrigado pela visita! Que você venha mais vezes, muito me honra.

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Pat,

... Eu bem sei que, muitas vezes, só a palavra para dar conta de tanta dor. Noutras, nem elas, pois parece que o silêncio nos invade de tal forma, com tal veemência e dor, que parece expulsar tudo de dentro: ficamos ocos, ribombando o pesar dentro de nós.

Mas a palavra volta. E com ela, a possibilidade de menos padecimento.

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Ana Paula,

... A gente fala mais da busca do que do término, quase sempre. Temos medo de olhar a ferida, de sentir o quanto nos dói, o que tudo isso representa. Somos tanto construção como ruína.

Obrigado pela visita. Volte sempre!

Um abraço!

Fabrício César Franco disse...

Elem,

Um desafio e tanto, não é? Vezes acho que não fui talhado para isso, para suportar tantas cicatrizes; mas, logo em seguida, percebo que a cada demolição, ergue-se, ainda que lentamente, paredes outras, nem mais fortes nem mais fracas, outras, que vão exibindo minha história afetiva. E essa, intrinsicamente, sou eu.

Beijo e obrigado pelo comentário.

Fabrício César Franco disse...

Will,

Você acertou em cheio, como de sempre. Dor e amor, rimas que são impermanentes na nossa vida. Ainda bem, embora eu quisesse menos tempo de dor, confesso. (Veja, nem peço mais tempo de amor, porque acho que isso é quase impossível, quimera de todo mundo).

Abraço!

Fabrício César Franco disse...

Wesly,

Obrigado pela visita e comentário. Eu entendi perfeitamente o que me escreveu, e era essa a intenção: a dor, de tal forma burilada e sentida, que se plasmou em imagem. Algo que todos pudessem entender.

Volte sempre!

Su Palanti disse...

Quanta dor em tão simples palavras... Espero que passe logo.
Bjuss

Fabrício César Franco disse...

Su,

Todo fim determina um começo, ainda que não percebamos. E, como o parto, não é nada indolor. Que a dor caminhe na brevidade do momento; não há mais o que pedir.

Beijo!

Anônimo disse...


Nanda

Simplesmente incrível . A dor faz parte do amor , pois é nela que nascemos e nos fortalecemos.
O ser humano vive por amor , mas aprende na dor .

Beijos Fabricício, obrigada por nos proporcionar essa reflexão através de uma boa leitura :)

Fabrício César Franco disse...

Nanda,

Eu que agradeço a visita e, principalmente, os comentários. Seja sempre bem-vinda por aqui!

Um beijo!

Rafaela Figueiredo disse...

O ritmo dos seus versos sempre têm o tom certo da própria temática.
As palavras, em mim, foram... ígneas, cortantes, tocantes mesmo.
Sinestesia verossímil.
Lindo! Triste. E magistral.

Bjos

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

Todo final é rascante, ázimo, dolorido. Assim também as palavras para defini-lo.

Obrigado pelo elogio. Fico, mais uma vez, muito honrado.

Beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Atire a primeira pedra aquele que não sofreu por amor...
"O primeiro amor passou
o segundo amor passou
o terceiro amor passou
mas o coração continua." (Drummond)

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

"Drummondiar" nos comentários! Poxa, agora me senti muito honrado! Obrigado, de coração. A temática afeta a todos, sem distinção; talvez, bem por isso, a comoção causada e tantos outros escritos, bem melhores do que o meu...

Beijo!

Luciana disse...

Ah, os amodores, como ensinam, como fustigam...

Fabrício César Franco disse...

Luciana,

As dores precisam parar de ser o contraponto do amor. Apesar de rimas, são excludentes.

Beijo!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,que vem lá das MINAS GERAIS, observo que a concepção do AMOR, como uma força contraditória, é tema frequente de seus poemas (como o fazia seu CONTERRÂNEO: DRUMMOND).
Permita-me a citação que julgo oportuna:
"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
................................
O amor,no escuro,não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá".(C.D.A.)
...............................
E eu aconselho: AME! "malgré tout".
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Farei como me indica. Seus conselhos são preciosos.

Abraço, com carinho!

 
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