terça-feira, 10 de abril de 2018

Lá fora


Desde que comecei a escrever
(e provavelmente muito antes disso)
as palavras “lá fora” parecem carregar
mensagens distantes, como se um estranho
poder emanasse delas quando eu as digo
sem pressa ou as escrevo, cedendo ênfase
igual às duas palavras curtas.

Ao longo dos anos,
fui aprendendo de onde vem esta carga,
de que paisagem deriva seu clarão sobrenatural.

Em memória, eu retorno
à minha cidade natal e vejo,
da janela de casa de minha avó,
minha mãe partindo para o trabalho,
aquele gosto estranho de mundo
amplo se estendendo
sem fim para além
das minhas possibilidades de despedida.


6 comentários:

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Lembranças da infância (alegres ou não ) marcam a vida de todos nós. Você, criança, sentia " o gosto estranho de mundo amplo"... Mas, sei que a ansiedade materna é muito mais forte, em qualquer distanciamento, breve ou longo de seu(S) filho(S).
Grande abraço.
Andréa Marcondes

edi disse...

Lá fora dá aquela sensação de distante e sem proteamar, mas era maravilhoso quando podia sair e brincar "lá fora.

Anônimo disse...

Poeta,
Depois de conhecer um pouquinho dos cenários do seu passado, até eu consigo imaginar.

Com carinho, Indi.

Fabrício César Franco disse...

Andrea, caríssima,

Este poema foi publicado no dia do aniversário de minha mãe, como singela homenagem a ela. E foi escrito tendo em mente uma vez que eu dormi na casa de minha avó, longe do resto da família nuclear. Acredito que ela se lembre do fato.

Abraço, com "sodade".

Fabrício César Franco disse...

Edi,

Realmente, eram outros tempos, quando a liberdade do "lá fora" era maior do que o medo que temos hoje. Obrigado pela visita e comentário! Volte sempre!

Fabrício César Franco disse...

Indi,

Foi pensando em lhe trazer para perto destas (e de outras) lembranças que tive a ideia de visitarmos onde nasci. Agora, você já sabe um pouquinho mais de como me sentia.

Beijo!

 
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