A exaustão toma conta.
Minhas articulações doem em revide,
fracas demais para qualquer coisa.
Sem indultos, sem alívio,
anseio pelo sono,
antecipo o torpor que virá.
Ouço o travesseiro invocar meu nome –
do outro lado do cômodo, ele sussurra,
tonitruante em meus ouvidos.
Olhos se fecham contrafeitos,
já não vejo a tela através
das lágrimas de bocejo.
Estou perdendo velozmente esse duelo.
Não posso dormir!
(Como se a escolha fosse minha).
Minuto a minuto,
a contenda prossegue
até findar meu turno
: desabo na cama a tempo
de descobrir que estou
completamente desperto.
Na peleja com a fadiga,
a insônia acabou por vencer.
Escrito por
Fabrício César Franco
Um ídolo que requer segredo, o olho
não tem matiz discernível e confere
ao espectro o que lhe falta
: as cores se refratam
e colidem
e formulam o visível.
O olho é um zero
difratando o tempo
e a água.
É pelo que revela:
uma condição de vantagem,
um contrato
com o que se percebe.
O olho é nada
que já se viu.
Escrito por
Fabrício César Franco
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