A estrada se estende,
quilômetro após quilômetro,
chegando a lugar algum.
O poema é alvenaria
: implausível ereção
de castelos, engenharia
reversa, o desfazer
da forma para engendrar
sentidos – uma leitura.
O poema é percurso
: jornada por sendas incógnitas,
paisagem movediça, extravio
de rumos, inventário de quimeras
degredadas e anistiadas –
rasura e reescrita
no mesmo apoucado espaço.
Construção e caminho,
o poema é passagem.
Respeito, antes de tudo:gentileza em meio à raiva, polidez, ainda que irritado – pois a paixão é mesmo esse fogo e o amor fica pouco mais além, entremeado de paciência e esforço. Para lá das quimeras de se estar sempre certo ou errado, há um campo (como já disse Rumi) e é só aí que a relação floresce.
Certos textos que lemosnos carregam em sua sintaxe,
clareando cada palavra,
fazendo o sentido se esgueirar
entre e ao longo da leitura,
não obstruindo
mas nos deixando
só a emoção do entendimento
como sequer houvesse
algo a ser lido
ali:
isso
;
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