terça-feira, 23 de agosto de 2011 6 comentários

Fluvial


 )
Às margens do São Francisco, dez anos depois
(

A surpresa, o engasgo do instante. 
Eu simplesmente não estava preparado 
para tanto azul, assim tão caudaloso, 
nem para a majestade de tanta água. 
Meus ribeirões sempre foram cheios de lodo, 
estanques e sóbrios, 
nauseabundos pelo esgotamento 
paulatino e axiomático. 
E agora, esse rio prestes nos olhos 
vem me percorrer com uma força zen 
tornada manifesta, um deleite 
de dilatar as pupilas. 
Agosto estua e tudo 
imprime enredos na torrente
: conluio de fluxos que me fizeram 
desaguar no desenfado destas margens.

terça-feira, 2 de agosto de 2011 6 comentários

Instâncias

1.
Seja meu termo, 
dado boca a boca, 
como um beijo à força, 
que os lábios secos 
racham-se por mais. 

2.
Seja meu anátema 
nessa pugna de contrários, 
delinquindo meus dogmas, 
totens tão bem erigidos 
à vacuidade das ideias postas. 

3.
Seja minha dor, 
bálsamo ao reverso, 
a que o corpo lembra como um bordão 
a cada novo mo(vi)mento, 
em irremissível memória. 

4.
Seja a centelha matemática, 
no espaço vário 
desse parangolé mazombo 
que chamo de vida.
 
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