sábado, 4 de agosto de 2012

Pequena lista de aspirações


Dizer
         "conte comigo"
sem
parecer fraco.

Dizer
         "eu te amo"
sem sufocar.

Mostrar paixão,
não obsessão.

Antes
que a chuva edite
o que sobrou da noite,
deitar ao seu lado e dormir,
sem perturbar
seu ressoar de sétimo sono.

Ouvi-la,
como uma onda
que guarda na praia a natureza
do mar de que participa.

Não
pisotear a melancolia
que você
luxuriantemente
cuida como um jardim.

E
se absolutamente preciso,
deixá-la seguir, soltá-la,
sem parecer capitulação.



23 comentários:

Rafaela Figueiredo disse...

querer que esse poema tivesse sido escrito, por aquele alguém especial, SÓ para mim! é querer demais ou egoísmo?
é que a lista me fez chorar. e isso é mais que admirar...
lindíssimo, Franco! sem mais.

beijo grande

Fabrício Franco disse...

Rafaela,

... A lista veio da aprendizagem de estar num relacionamento, sofrer e penar para - no enquanto - saber (ou constantemente tentar) amar alguém.

Obrigado pela visita e pelo elogio.

Beijo meu!

Rafaela Figueiredo disse...

e eis o que nós - mortais apaixonados - vivemos a fazer, não é?!

diletíssima experiência a tua!

Fabrício Franco disse...

E há alternativa, afinal, para nós, Rafaela? ;)

Anônimo disse...

Aqui, na caixa de comentários, a pergunta: o que vocé achou? Eu? Ah, eu achei lindo demais da conta, sô!

:) Saudade daqui!

Quase tudo o que fala de nós, tentando explicar o que sentimos ou como nos posicionamos perante e pelo mundo, esbarra no amor. O que é? Como se define? Qual seu espaço? Subjuga? A quem enaltece? Acaba?

Acho que definistes bem: amor é construção, nas pequenas grandes calmarias, principalmente.

Beijo,

Patricia.

Fabrício Franco disse...

Patrícia,

Estou aprendendo a usar esses tempos de calmaria para reforçar os elos, reatar os laços, recompensar-nos do carregar (às vezes) solitário da cruz da convivência. Tem sido uma boa aprendizagem...

Beijo!

Anônimo disse...

Nossa que lindo !
você esta amando alguem hoje ? porque ao mesmo tempo parece tão solitário .

Parabéns !! Muito lindo .


Fernanda

Fabrício Franco disse...

Fernanda,

Estar com alguém não quer dizer que nos indisponibilizamos nossa solidão intrínseca. Estar com o outro é - cotidianamente - uma construção a quatro mãos.

Abraço!

Su Palanti disse...

Este é o ônus do bônus, que no caso é o amor. Quase li nas entrelinhas "amar é..."
Linda poesia escrita com a maestria que só você tem.
Bjuss

Fabrício Franco disse...

Suzana,

Você também se lembra daquelas tirinhas "amar é..."? Minha tia era uma fã devota, tinha várias no birô dela.

Sim, o ônus do bônus da vida, realmente. Mas sem ele, quase tudo - senão tudo - fica sem graça alguma.

Beijo!

Anônimo disse...

AH! POETA!
Amar é VIVER!
" O difícil no amor é saber RENUNCIAR"...(sic!)
...................................
(Como sempre, li... reli..., encantada, seus versos: a construção do texto; a maneira como você traduz os "fatos", os sentimentos - ARTE POÉTICA!)
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício Franco disse...

Andrea,

Fico todo prosa quando me dá, de presente, palavras tão motivadoras. Obrigado, mesmo, pelo elogio!

Abraço, com grande carinho!

Matheus Matos disse...

Quisera a gente que o amor viesse de vez, sem a interferência potente das nossas histórias e manias desgastantes....

Fabrício Franco disse...

Mas Matheus, são justamente nossas histórias e manias que fazem do amor algo maior (e melhor) do que ele é. Dá-lhe sabor e norte, o diferencia do rompante inconsequente, da paixão momentânea. O que devemos pedir é discernimento para talhá-lo direito, sem quebrar a peça delicada de que é feito...

Abraço, e obrigado pela leitura generosa!

Matheus Matos disse...

(para completeza da conversa aqui)

Isso, isso.... nossas histórias podem contribuir, mas podem também atrapalhar!!! Quisera que o amor sempre fosse maior que tudo isso, que viesse de vez, sem deixar espaço pra necessidade de talhar!

Fabrício Franco disse...

Qual seria, então, a graça disso tudo, Matheus? O amor, como um dado, caído do céu, não teria o valor que tem se assim fosse...

Matheus Matos disse...

o amor é muito maior....

Fabrício Franco disse...

Mas depende de nós, Matheus. Sem os atores, não passa de palco vazio, um texto sem leitores, uma canção muda... Somos nós, com nossos problemas e fraquezas, nossas soluções e idiossincrasias, fantasias e ganhos, que trazemos ao amor o que dele achamos algo tão bom...

Matheus Matos disse...

Que o amor seja assim então: nós. Sem esse conceito angustiante de perfeição....

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Sábias palavras, mas fiquei pensando no outro lado da relação... Como ouvir “eu te amo” com naturalidade? Ser sincero e calmo ao retribuir o amor? O ideal seria declarar como Drummond em suas Sem-razões do amor
“Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.”

Até mais

Fabrício Franco disse...

Matheus,

Como eu li, alhures: "perfeição não é meta, é mito".

(Obrigado pelo colóquio. É disso que mais gosto quando escrevo).

Matheus Matos disse...

Obrigado pela poesia!! ;)

Fabrício Franco disse...

Raquel,

Como fico honrado com seu comentário, citando Drummond!

Obrigado pela leitura generosa!

Abraço!

 
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