quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Zagaia


Vista de passagem por olhos apressados, 
uma breve promessa do paraíso, 
uma tentativa de fazer com que monólogos 
resultem num diálogo: você e eu 
quarando a tessitura da alma 
em linhas de um meio-dia. 

Juras impelidas a alinhavar o acordo, 
a conexão de duas metades. 

Dizemos coisas definitivas, 
mas ninguém define as coisas. 

Tentação, o gosto que atiça, 
mas não preenche. Uma 
promiscuidade de sugestões e indiretas. 
Um sorriso de soslaio 
que os lábios deixam escapar. 
Tão discreto quanto o outro lado da lua. 
Tão sutil quanto o gosto de uma alface. 
Tão exato quanto o dardo em sua trajetória.

14 comentários:

Su Palanti disse...

Sensual, alegre e perspicaz no sentido de descrever uma conquista. Adorei o "quarando a tessitura da alma em linhas de um meio-dia"... Poético e emocionante.
Bjuss

Fabrício Franco disse...

Suzana,

... Embaixo desse sol daqui, quase equatorial, a alma só não fica translúcida porque a melanina não deixa.

Obrigado pela leitura generosa!

Beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Vc se superou. Conseguiu ser tentador e
"Tão discreto quanto o outro lado da lua.
Tão sutil quanto o gosto de uma alface.
Tão exato quanto o dardo em sua trajetória."


Parabéns.

Inté...

Fabrício Franco disse...

Raquel,

Fico lisonjeado com seu elogio. Muitíssimo obrigado!

Abraço!

Renyelle Rogers disse...

O que dizer???
(...)

Uau!

Fabrício Franco disse...

Reny,

... Eu tenho o que dizer: fico muito feliz e honrado com seu comentário por aqui (você nem sabe o quanto)!

Beijo, com carinho!

Anônimo disse...

Encanta-me sua habilidade ao "definir" as artimanhas do pensar e sentir!
Ao lê-lo, repito o que escreveu o poeta mexicano Octávio Paz: "Poesia revela experiência, emoção, intuição... Voz do povo, LÍNGUA DOS ESCOLHIDOS."
...................................
(Quanto ao título,(originalíssimo),seria "figuradamente": a lança, o dardo que "fere o coração" a ser conquistado?)
Grande abraço,

Andrea Marcondes

Fabrício Franco disse...

Andrea,

Sim, o título é exatamente isso que percebeu. Sempre tento trazer o título ao corpo do poema, tornando-o parte do todo escrito.

Obrigado, uma vez mais, pela leitura carinhosa.

Abraço, com imenso carinho!

Will Carvalho disse...

Fiquei por aqui, lendo e relendo... deixei-me digerir, pra comentar depois com mais segurança. Não consegui. Estou aqui, de volta, e ainda não encontrei palavras pra ser exato quanto ao que a poesia feita aqui me provoca. Sentimentos assim, muitos vivem (espero), mas traduzir assim... isso é mais raro. Leio-o e ouço um tema apropriado tocar.

originalidade. sensibilidade. simplicidade.

Parabéns!

Fabrício Franco disse...

Will,

Fico muito grato por seu comentário, já que - como eu lhe disse - essa área mais, digamos, romântica é sua praia, e você se dá muito bem nela. Assim, sua perspectiva aqui me é fundamental. Muito obrigado, mesmo!

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

chamá-lo-ia quiromancia - as linhas da mão ditando/desenhando encontros e despedidas.
sempre bom viajar nesses teus versos [aqui] assintóticos...

um beijo, Franco!

Fabrício Franco disse...

Rafaela,

Tenho um outro poema, desse mesmo nome, quem sabe eu não o poste por esses dias, para que você veja a comparação/sincronia de ideias?

Obrigado pela visita! Beijo!

Bela Sales disse...

Percepção aguçada hein, Fabricio?!São as experiências que estão fazendo você descrever tão bem assim esse momento que leva alguns segundos e, nas suas palavras, se tornaram eternas?

Fabrício Franco disse...

Bela,

Todos que escrevem partem de algum lugar, de algo que viveram ou vivenciaram, ainda que tangencialmente. Tive a sorte de viver alguns desses momentos, e de poder compreendê-los para, assim, escrever sobre eles. Mas digo-lhe, não foi uma experiência fácil - conhecer-se (e ao outro) demanda tempo.

Beijos!

 
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