domingo, 29 de abril de 2012 16 comentários

'Ars Domestica'


Sol que vaza por persianas,
um calor senegalesco.
É inútil
dissimular essa melancolia
que invade a tarde.
Crusoé das ilhas de concreto,
tenho a trégua dos livros,
as dobras de sombras nas paredes,
o tempo que isso leva.

Citando Pound,
“a beleza é lenta”.


segunda-feira, 23 de abril de 2012 24 comentários

Voo


sexta-feira, 13 de abril de 2012 24 comentários

Noturno, quase um 'blues'


A noite além dos meus ombros é
uma vastidão
que se comprime
junto às vidraças e se adelgaça

ante a febre de outra madrugada.
A noite,
comparte na minha volta para a casa
sob a luz de sódio,
risca destatuagens no breu,

em cujas bordas o sono vai corroendo
todas as formas,
enquanto
uma constelação distante morre
num canto qualquer
do céu.

quarta-feira, 4 de abril de 2012 26 comentários

Xiita


Persisto na intransigência da expressão.
Escrevo a secas
meu desideratum:
aquilatar a frase
na lavratura da pedra,
galgá-la
nas cordas da tribulação,
domá-la
na beleza da precisa oportunidade,
e por fim
aguilhoá-la
na leitura alheia.

Se não me orgulho,
ao menos que não haja remorso
pois,
depois que sai,
não se pode recolhê-la
: é flecha lançada.

Na palavra deposito meu efêmero,
perpétua singradura de sentidos,
e traço as fronteiras de meu estado,
nômade e em constante exílio.

 
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