Uns sãoBenjamim. Uns vão, trampolim. Uns tão... manequim. Uns não, outrossim.
Manhã; o vento galhofeiro
passa as roupas no varal
a dez nós por hora.
Contingente na brisa,
o vestido nos pregadores,
sua ossatura ágil faz
piruetas.
Deve ter sido escrita a cinzel em algum lugar em meus pergaminhos, num mais fundo em mim, que estava reservado para outra caligrafia, após tentames falidos e, apesar disso, foi se refazendo devagar à sua imagem, com carinho e simpatia e encanto, com toda a surpresa que faz a vida valer à pena, demorando-se nas reentrâncias de um sorriso desbragado e num olhar que me fita distante e tão aqui. E então, subitamente, você é – linda harmonia ainda que cacofônica – para todo mundo ouvir musicada em meu coração.
Junto toda espécie de detritos, resíduos abandonados, em meu acervo de resquícios. Conservo estilhaços de aflição, angústia em cacarecos, uma coletânea de suplícios. Guardo quimeras despedaçadas, lascas de amargura, tombos diante de precipícios. Colijo toda forma de naufrágio, fragmentos de logros e embustes, o cadafalso de cotidianos malefícios. Preservo o luto dos ludíbrios, a lástima amarga dos enganos, o pesar de todos os vícios. Coleciono a escória da consternação, dos amores mutilados e a brutal inutilidade de seus sacrifícios.
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