Desde que comecei a escrever
(e provavelmente muito antes disso)
as palavras “lá fora” parecem carregar
mensagens distantes, como se um estranho
poder emanasse delas quando eu as digo
sem pressa ou as escrevo, cedendo ênfase
igual às duas palavras curtas.
Ao longo dos anos,
fui aprendendo de onde vem esta carga,
de que paisagem deriva seu clarão sobrenatural.
Em memória, eu retorno
à minha cidade natal e vejo,
da janela de casa de minha avó,
minha mãe partindo para o trabalho,
aquele gosto estranho de mundo
amplo se estendendo
sem fim para além
das minhas possibilidades de despedida.
Escrito por
Fabrício César Franco
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Efeméride,
Elucubração,
Impermanência,
Logomaquia,
Quietude
4
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Quintessência
Escrito por
Fabrício César Franco
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Atonia,
Escritura,
Inquietude
4
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Calado (quando doem as palavras)
Minha voz dorme “em timidez,
envolta na faringite que veio
de visita no início da semana”.
O silêncio adentra minha vida
com truculência, se faz compulsão,
nada há que eu possa fazer.
Refém da afonia,
meu vocabulário restrito,
engulo o não-dito
como quem rouba uma fruta e,
como criança dando às coisas outro nome,
refaço o mundo em letras mudas.
Natural sentir-me triste,
dia nublado.
Não se guardam palavras.
Quando poupadas, decompõem-se
na própria avareza. E doem
de o cabelo cair,
de o olho arder,
de querer vomitar.
Dói de respirar,
suspiro de nimbo
para fazer chover.
Inevitável
: alma alagada.
Escrito por
Fabrício César Franco
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