quarta-feira, 17 de abril de 2013

Alfaiataria


Dizem que o amor é cego
e que não sabe esses que une.
Dizem ainda que na urdidura da trama,
quando Moiras tecelãs cosem à vida
todos os percalços e triunfos,
elas nem percebem
os corações cingidos.
 

Nada há de fortuito aqui:
tenho a absoluta convicção
de que lhe enviaram a me fazer
significar o melhor que eu posso exprimir,
súbito rasgo da sintaxe
no léxico da rotina –
auge de um enredo
a ser tecido a quatro mãos.


14 comentários:

Will Carvalho disse...

O amor tem o poder de nos dar certezas, que certas ou não, é absoluta para o ser amante.
Bonito mesmo é a convicção e capacidade de sentir-se e definir-se dependente (não em um sentido depreciativo) do outro.
A coluna do Ivan Martins dessa quarta, aliás, trata desse "deixar-se depender do outro" http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2013/04/nos-incompletos.html

Fabrício César Franco disse...

Obrigado, Will, pela visita e pelo apontamento de um artigo tão interessante. Gosto disso, aqui; dessa possibilidade de prolongamento da leitura em outras paragens.

Abraço!

Will Carvalho disse...

Obs 1. são absolutas*

Obs 2. Suas postagens sempre me deixam ruminando por um tempo. Por isso sempre fico inseguro pra comentar. Não raramente, depois de algum tempo, eu penso: Poxa, eu devia ter comentado outra coisa.

Fabrício César Franco disse...

Will,

Para solucionar isso, venha mais vezes, comente mais coisas. É sempre um grande barato ter esse interlóquio. Aprendo muito, abro espaço para a conversa (quer coisa melhor?) e amplio meu horizonte poético.

Abraço, meu caro, e volte sempre que quiser!

Nanda disse...

Acho que estão faltando alfaiates. Todos querem 'roupas prontas'...rs - brincadeiras à parte, acho mesmo que hoje falta um tanto de paciência, o amor precisa ser construído, cuidado. E pelo que tenho visto, muita gente desiste e parte pra outra no primeiro obstáculo.

Fabrício César Franco disse...

Nanda,

Mas isso só se deve à grande oferta do mercado. Não é para também acharmos que carregar fardos pesados nos faz melhores num relacionamento. Há sempre que procurar o que nos cabe, o que nos 'veste' melhor. E essa busca é como uma compra de roupas, toma tempo.

Abraço e obrigado pela visita!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Tecer a vida..(principalmente, no AMOR, precisamos usar nossas habilidades: "harmonizarmos"). Usar, no sentir, no agir, a INTELIGÊNCIA. É difícil! Mas vale tentar.
....................................
"O que faz um indivíduo mais inteligente não é 0 "hardware; e sim o "software", isto é, o PROGRAMA que ele usa."L. R.
..................................
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Uma vez mais, obrigado por sua perspectiva - acertadíssima - sobre o que escrevo. Tento usar o software que tenho, mesmo na evolução desenfreada destes tempos em que os porgramas mudam ao compasso da hora...

Grande abraço, com carinho!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

Tecer a quatro mãos é tarefa delicada. Entrelaçar fios, sem esgarçá-los. Homogeneizá-los, sem torná-los um.
Quando a tessitura aproxima-se da perfeição, surge seda pura, de caimento perfeito, estamparia exclusiva e harmônica.
Quem não quer vestir-se com um tecido assim?

Bj.
Até mais.

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Seu comentário caberia até como um contraponto ao poema que escrevi, glosa do que foi lido. Muito bom, pertinente, como de sempre. Por isso que repito o convite (pedido?): venha mais vezes.

Abraço, com carinho!

Anônimo disse...

Poeta,
minhas palavras não são tão bonitas quanto as suas, mas não pude deixar de me reconhecer nos seus versos,principalmente nesses:

"Nada há de fortuito aqui:
tenho a absoluta convicção
de que lhe enviaram a me fazer
significar o melhor que eu posso exprimir.."

É exatamente o que eu gostaria de dizer a você.
Só quero que saiba que estou disposta a tecer minha vida junto à sua,costruindo uma trama forte baseada no amor,respeito,carinho,compreensão e na sinceridade.

Amo você,


sua Anônima preferida.

Fabrício César Franco disse...

Pequena,

Ter um comentário seu aqui é o que mais me alegra. Aquece meu coração e me estimula a melhores e mais poderosas palavras: ternura, amor, companheirismo, respeito...

Amo você!

Rafaela Figueiredo disse...

Que compreensão linda!
E que, contudo, nos enovela e emaranha na (sempre impecável) tessitura semântico-sintática.

Bjo, caro

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

Como é bom ter seu olhar crítico sobre o meu escrito: sua verve e seu conhecimento me enriquecem demais. Muito obrigado pela visita!

Beijo!

 
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