segunda-feira, 29 de abril de 2013

Geometria


Matemático:
eu não tenho talento
para cateto.



18 comentários:

Raquel Sales disse...

Poeta,

Se me permite o palpite...
Melhor ser cateto matemático que cateto zoológico... O primeiro dá sustentação, o segundo, devora o que lhe aparecer pela frente... É bicho bravo que só...

Bj



Luciana disse...

Que bom, porque eu tenho me sentido o quadrado da hipotenusa...

Rafaela Figueiredo disse...

Também não; nunca tive! Rs
Mas a sua (nossa) vantagem é poder falar, com toda a autonomia - da palavra, a q nos subordinamos...

Beijão

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

... Pelo menos, o do zoológico tem o prazer de poder devorar o que sente fome e não sofre por ser traído... Que é a metáfora aqui.

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Liu,

Você ser o quadrado da hipotenusa é algo tão natural quanto respirar. Você sempre foi "plus".

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Rafaela, poetisa,

Nos subordinamos à palavra, mas nem todos o fazem, e sofremos por isso. Cada dia mais ela perde o valor nos relacionamentos.

Beijo, com carinho!

Regina disse...

Muito profundo! O mais bacana é que vc tem sim talento! O étimo poético!!!
Show!!!!
Abraços.
Regina.

Fabrício César Franco disse...

Regina,

Fico muito envaidecido e agradecido por suas palavras. Mas o melhor é ter sua visita por aqui. Muito obrigado e volte quando quiser.

Um abraço!!!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

confesso que de todos os seus textos este soou-me mais enigmático... Não entendi sua intenção... Chutei pro lado que a minha percepcão conduziu...

Sinal de que sua arte é múltipla, portanto de altíssima qualidade... (ou minha percepção é rasa??? rsrsrs)

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

O texto - por ser um haikai, poema curtíssimo, de dezessete sílabas - foi um enxugamento radical de palavras, na tentativa de significar mais com menos. Talvez daí tenha surgido o enigma. Mas a interpretação - toda ela - é válida, até mesmo por me mostrar mais o olhar da leitora (bióloga).

Beijo!

Su Palanti disse...

Longe de acreditar que suas palavras sejam antagônicas, enigmáticas, prefiro acreditar num sentimento mais para um raio luminoso que incide sobre o seu reflexo...
Bjuss

Fabrício César Franco disse...

Su,

Obrigado por lançar mais essa luz sobre meus escritos. Procuro, sim, iluminar outras sendas e paragens com o que escrevo, ainda que sejam, como dessa vez, muito pessoais. Mas li, certa feita, que "do pessoal faz-se o universal". Foi meu intento.

Beijo!

Anônimo disse...

Caríssimo Poeta,
Sempre me encantei com seus haikais.
Conheci alguns, nos tempos da UFMG;
inclusive os publicados com seu pseudônimo japonês. Mas declaro minha incapacidade de decifrar a METÁFORA do CATETO. Talvez pela minha ignorância em relação aos PRINCÍPIOS PITAGÓRICOS.
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Ouso perguntar: "Não ter talento para cateto" seria ACHAR DIFÍCIL A
"ADJACÊNCIA" (sic!) A OUTRO(S) COM QUEM GOSTARÍAMOS ( OU PRECISAMOS DE,,,)"FORMAR UM ÂNGULO RETO"?
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Ai! delete meu tolo questionamento!
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

A metáfora do cateto é simples, pelo menos, a meus olhos: ambos disputam a hipotenusa. E ela não se decide por nenhum. Daí a famosa figura do triângulo amoroso. Não quero ser cateto de nenhuma hipotenusa. Prefiro, tão somente, a felicidade de ser metade de um círculo formado com outra metade que seja da minha amplitude.

Grande abraço e saiba: nenhum questionamento seu é tolo.

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Obrigada pela explicação! Além de escritor,você é, sobretudo, "THE TEACHER"!
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Tudo para tirar o hermetismo do que escrevo.

Abraço, com carinho!

Will Carvalho disse...

Acho que "sofro" da mesma falta.

Por isso, sempre fui apreciador da inconstância das curvas, do caos. Os traços retos e perfeitos passaram despercebidos por mim.

A pena é que o mundo anda tão reto.

Fabrício César Franco disse...

Will,

... A planificação do futuro, perfeitamente arquitetônico, anti-natural, nos força a esse mundo de quinas e retas. Voltar não nos é permitido mais. Resta humanizar tanta concretagem, tanta dureza.

Abraço!

 
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