domingo, 11 de agosto de 2013

Falha geodésica


Nossas histórias são cúmplices,
conexas por uma sutura
de rocha e árvore,
a linha entre elas
esmagada como escombros
num terremoto, dolorosamente
amalgamando as coisas em comum.
Algumas terminam
em dobras sobre si mesmas,
criando novos platôs e perspectivas,
para então assoalhar o sismo
onde os desacordos repousam.
Outras são esplanadas,
breve crispação da paisagem
sobre a malha de um mapa
nos arrabaldes da memória.
Nossas histórias são a medida
do tempo geológico contido
dentro de nossa ampulheta humana,
plenas de narrativas titubeantes
mal assentadas sobre o terreno dos fatos.
Erguemos altares sobre a geografia
movediça do vivido, imêmores
deste lapso geológico
e desabamos ao leve tremor
das placas mais fundas,
aquilo que nossas biografias não contaram.


10 comentários:

Anônimo disse...

Meu poeta,
Não posso garantir que o terreno se manterá estável, sem os tremores.
O que garanto é que haverá sempre um alicerce muito firme bem debaixo dos seus pés.A terra pode sacudir o quanto quiser, mas você não vai cair.

Morena

Fabrício César Franco disse...

Morena,

... Caminhar já foi, tantas vezes, usado como metáfora para viver que corri o risco do clichê aqui. Mas pensei em tons mais largos, onde nós - cada um - somos um pouco como um pedaço geográfico, sujeitos à todo tipo de intempérie (inclusive, e muito!, terremotos). Caminhamos, sujeitos a tropeços e afundamentos, na frágil camada de segurança que se nos oferece a cada novo passo.

(Li, em algum lugar, que corremos o risco sério de morrer a cada passo, quando os pés não estão firmemente plantados no solo. Se formos temer a morte, nunca nos moveríamos, portanto).

Beijo e obrigado pela visita!

Rafaela Figueiredo disse...

Nossa... É isso, Franco!
Acho q, aqui, vc completa ainda mais o q me disse no blog.

O q fica e vale é o tornar-se outro, sendo o mesmo - terreno de muitas marcas de idas e vindas, na estrada da vida.

Um bjo, poeta

Raquel Sales disse...

Poeta,

Placas chocam-se e reorganizam este inconstante planetinha... E a gente nem consegue perceber... Diante do tempo da vida na terra, somos poeira (na lixa de unha, lembra?)... Nos cabe arar, plantar, colher (sucessos e amigos) e torcer por solavancos leves e breves...

Que a semana seja de pouco intemperismo.

Bj

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

... Sincronicidades, então. Que nossa mudança - do aqui para o 'quem sabe?' - seja feita por terrenos não tão difíceis de se palmilhar.

Um beijo!

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Uma vez mais, você diz o que falta. Muito obrigado!

Beijo!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Sim, "nossas histórias são a medida do tempo geológico contido dentro de nossa ampulheta humana"...
Já lhe falei de quantos "terremotos" experimentei. Mas, decidi criar "novos platôs e perspectivas". Reconhecer os valores que ainda vivencio. E concluo: "malgré tout", VIVER VALE A PENA!
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Faço minhas as suas perspectivas. Persisto, pois, nessa trilha: "malgré tout", fazendo o que posso para valer a pena.

Abraço, com carinho!

Van disse...

Oi Fabrício

E é nesta geografia tão acidentada, tão sujeita aos sismos, que se formam as mais belas paisagens.

Você arrasou nesta metáfora!

Beijos

Fabrício César Franco disse...

Van,

Que bom ter sua leitura! Fico feliz que tenha podido vir, gosto muito de ter seus olhos pousados sobre meu texto.

Beijos!

 
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