domingo, 18 de agosto de 2013

Hieroglífico


Alguns afirmam que sem
cultura geral nada
pode ser compreendido.
Mas cultura geral não
vai me levar a lugar algum esta noite.
No meu instinto para a falha, eu,
(íntimo do erro,
o engano já não tem segredos para mim),
leio vorazmente mas extraio
somente meu próprio entendimento.
Faço-me existir como um rato numa roda.
E o que mais me intriga
– mais do que qualquer outra coisa –
é o fato de por tanto tempo
estar lutando contra as mesmas
questões e obsessões, obtendo as respostas
boçais e estéreis de sempre,
isso não me tenha feito um pouco mais
sensato, sem algum desafogo
da precisão de compreender. 


Nessa vida sem manual de instruções,
um quinhão de ignorância 
é pressuposto fundamental para ser feliz.
 

14 comentários:

Ariana disse...

A ignorância ás vezes é o que nos faz felizes.
Belo poema!

Beijos

Fabrício César Franco disse...

Oi, Ariana!

Que bom ter seus olhos pousados sobre meu texto. Seja muito bem-vinda!

Beijos!!

Raquel Sales disse...

Poeta,

FATO: pensar gera reconhecimento do tamanho da nossa burrice...

Bj

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Seria melhor, de bom-tom, que pudéssemos escolher voltar à ignorância depois que expandissemos nosso conhecimento das coisas. De algum modo, editar coisas de que não necessitaríamos tanto conhecer. Ficaríamos mais leves, tenho a certeza.

Abraço e obrigado pela visita!

Raquel Sales disse...

Poeta,

agora foi minha vez de rir... Você conseguiria voltar ao estado de ignorância???? kkkk... No máximo, escolheria relevar a burrice...

Bjim

Boa semana...

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

... Talvez não conseguisse voltar à ignorância por completo, mas seria muitíssimo bom poder editar algumas coisas de que não necessitamos saber. Deixar na consciência (e na inconsciência também, por que não?) somente aquilo que nos permitisse um viver mais leve.

Beijo!

Zroberto Araujo disse...

estava pensando nisso, ontem, mas você falou tudo poeticamente... adorei!

Fabrício César Franco disse...

Zroberto,

... Gosto de pensar que tudo, de alguma forma ou outra, pode ser dito de forma poética (sem grandes exageros). Talvez, assim, quem sabe, as verdades que nos escapam aos olhos, porque são cotidianas e repetitivas, ganhem nova cor e façam sentido novamente.

Abraço e obrigado pela visita!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Instigante o seu texto!
Há uma frase que traduz, muito bem, a minha incapacidade para a compreensão dos hieróglifos que a vida me apresenta:"...o engano já não tem segredos para mim".
Grande abraço,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea, querida,

Acho que sua frase é mais dura do que se supõe. Engano, como apresentado na citação, parece-me perto demais da noção de erro, de estar errado. Ainda que nós, mineiros, sejamos "gauche" quase que "por decreto", não concordo que você tenha se enganado por demais. Todos tropeçamos, hora ou outra. Mas conheço feitos seus, em forma de pessoas e também de fatos, que contradizem sua afirmação.

Deixo meu abraço, com carinho!

Rafaela Figueiredo disse...

Claro, claro, poeta!
Como de costume: um primor.

Que saibamos, na ignorância, reconhecer a presença de conhecimento. E vice-versa.
É aquela história do Sócrates, e a gente segue nesse labirinto da razão...

Bjo, Franco

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

Obrigado pelo olhar gentil sobre meu texto. E que, sim!, reconheçamos que há conhecimento, mas que nem todo nos faz bem.

Beijo!

Su Palanti disse...

Como a obra do Escher - tão pertinente com seu texto - é mesmo difícil chegar-se a algum lugar com as armas que temos, a cultura que formamos ou a sabedoria que conquistamos. Ao mesmo tempo tudo isso nos faz vislumbrar o que poderia ser a sombra de nossos futuros...
Bjusss

Fabrício César Franco disse...

Su,

Mas esse vislumbre não seria, também, um convite à frustração por percebermos que não chegaríamos a esse futuro com as ditas armas que temos?

Beijo!

 
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