Vou desenhar você em uma voluta árabe,
um sinete de dervixe,
minudências descomedidas se alastrando
da paleta para a flor da tela,
faminta por sua emergência
em forma e cor. Dos traços
rápidos para a delicadeza
filigranada do que se compõe,
definida pelo contorno
que minhas mãos captam,
clandestinos detalhes no mistério
de seu rosto acodem às cerdas do pincel
: uma beleza feito brasa
que queima seu tecido delicioso
no dentro do quadro.
Eu giro trôpego na órbita de seus olhos
(transgrido as leis da gravidade)
e faço suas sobrancelhas
crescerem em arcos nítidos,
entradas para espelhos castanhos,
dispersos em oceanos de lágrimas.
Você assiste de esguelha
todo laivo e borrão que tracejo,
testemunha da configuração
de meu alento, a boca em V,
num veredito iminente,
a julgar minha febre de cores
na pressa de pegar o essencial de sua imagem.
Todavia, você,
ilustrada, sabe.
Não é você ali,
é o coração.









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