quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Efeméride,
Impermanência,
Itinerário,
Quietude,
Requinte
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Joias litorâneas
Nas praias vivem os arautos do tesouro
: meninos descalços, sem camisa, sem escola,
deuses da beira-mar.
No açoite das ondas nos rochedos,
a oblação do oceano
: estrelas-do-mar, caurins, conchas –
inteiras, infractas, resplandecentes.
A possibilidade polida em turquesas marítimas, esmeraldas oceânicas, safiras pelágicas, variegadas gemas mágicas.
Transubstanciação, sortilégio antigo,
na solidão dos promontórios
eles fazem do que encontram
artesanato, colares e pulseiras.
Abrolham repentinos,
como se surgidos da própria viração.
No comércio convicto de seu engenho,
não regateiam talento, mas o preço,
durando apenas o enquanto
do negócio para, logo em seguida,
deixar apenas rastros difusos
a serem comidos pela próxima vaga faminta.
Escrito por
Fabrício César Franco
Houve uma vez um verão.
Há desta vez um verão.
Haverá outra vez um verão?
Pelo sim, pelo não,
quero sorver o calor
até a última gota.
(Um dos meus primeiros poemas, escrito ainda quando eu era - bem! - adolescente.
Sobreviveu às inúmeras tentativas de desprezá-lo de vez; agora, sem retorno).
Sobreviveu às inúmeras tentativas de desprezá-lo de vez; agora, sem retorno).
Escrito por
Fabrício César Franco
que esse no álbum de retratos
nem parece
ser eu.
Não é
meu rosto, eu
que me vejo
todos os dias
no espelho pela manhã.
É um semelhante,
sósia,
parente.
É mais
flexível e mais elástico,
mais dúctil enfim,
do que eu.
Não é
minha fisionomia, insisto,
mas bem que poderia ser
um mapa de como cheguei aqui.
Quando mudei de uma
e comecei a habitar outra?
Será que mudei por inteiro
durante o sono
ou fui levado em baldeações,
pedaço por
pedaço,
nas abrasões regulares do chuveiro solar
(respiro e o tempo abre suas torneiras)?
Não me reconheço
neste espalhamento de estradas
que não podem ser retomadas,
canais que se abriram
na tectônica geologia da pele.
Poderia ser brando e dizer
que virei flor de figo,
que floresci por dentro.
O resto é subterrâneo,
reminiscência que acorda a cada dezembro,
folia de criança
que se busca
num pique esconde de fotogramas,
encontrando
um homem diferente
em cada um deles,
naqueles semblantes.
Escrito por
Fabrício César Franco
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