quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Grácil


Eu me pasmo à sua beleza
que só flecha e curare,
relâmpago que se abre
ante meus olhos
como Escritura,
soco no diafragma
que lateja
pelo corpo todo
e dói dias a fio.

Meu olhar excursiona
por sua pele e consigna
os detalhes
deste inefável deslumbramento
grácil
tornado carne e sangue.

O encanto é mais
do que posso suportar
e me pego
boquiaberto
(ante a exata noção)

: monumentos

já foram construídos
por menos.


20 comentários:

Ariana Zahdi disse...

O verdadeiro monumento é o que faz vibrar. Lino como sempre, querido!

Pollyana disse...

Acho que há algo em Minas... Poetas maravilhosos, poemas deslumbrantes. Grácil me lembrou algo de Drummond... Definitivamente, há algo na água (ou será no queijo?) de Minas que inspira e habilita sujeitos únicos a criarem textos tocantes, inquietantes, provocantes. Não é à toa que meus poetas prediletos, incluindo você, claro, são dessa terra mágica!

Anônimo disse...

Poeta,

Também me pego boquiaberta diante de tanta sensibilidade,desse seu olhar atento e aberto aos encantos.

Beijo,

Morena

Fabrício César Franco disse...

Ariana,

Obrigado pelas palavras elogiosas. Fico muito feliz que você tenha pousado seus olhos sobre meu texto, e gostado.

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Polly,

... Minas agradece seu interesse por nós, poetas mineiros. Não sou da estirpe tão nobre, drummondiana, mas fico feliz em ser citado junto a ele. Reconforta e dá ânimo (e alguma tensão, pela imensa responsabilidade).

Beijo!

Fabrício César Franco disse...

Morena,

... E eu, de meu lado, fico agradecido pelo seu carinho com minhas palavras.

Beijo!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

excursionar pela anatomia e torná-la palatável é tarefa difícil, mesmo pra quem faz dela ofício, como eu.
Você foi muito além, transformou-a em poesia... Parabéns!!!

ps.: e por falar em Drummond... vc já se aventurou por "O amor natural"???? Inacreditavelmente anatômico e erótico... Aquele vovozinho era surpreendente...

Inté...

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Muito obrigado pelo elogio.

Quanto à Drummond e seu "O amor natural", acho que quando ele o escreveu não era tão vovozinho assim. A publicação, talvez, tenha sido já na maturidade (segundo me lembro, acho que foi até 'post mortem', mas posso estar enganado), mas foi o resultado de anos de observação atenta.

Inté!

Raquel Sales disse...

Realmente foi publicado 'post mortem' (tenho o livro) e remontava uma vida... Mesmo assim achei surpreendente... Coisa de "minerim comi queto"... Bastante conhecedor das alcovas, mas com ares de senhor de respeito... Rsrsrs

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Sempre fiquei intrigado com a celeuma causada por causa da publicação do "O amor natural". Afinal, o que se esperava? Um poeta casto (seria essa a definição de poeta para a envergadura de Drummond: casto?) ou um poeta que não vivenciasse, em seu cotidiano, tudo o que nós - meros mortais - vivemos? Esterilizaram demais a figura do poeta, acho eu. E daí que ficou mais forte a poesia dele no livro, como uma recordação deste lado (alcoviteiro?) de que, tão comumente, esquecemos.

Inté!

Raquel Sales disse...

Fabrício,

concordo, mas eram outros tempos... Num mundo de discrição (bem diferente do nosso), colocar uma pedra no meio do caminho já era uma trasngressão e tanto... Imagine declarar-se erótico...

Infelizmente, é hora de deixar as divagações literárias e retornar à vida real (Affff!!!). O lavoro me aguarda...

Boas divagações...

Inté

Fabrício César Franco disse...

Raquel,

Bem, pode até ser, mas ainda não estou convencido de que não fora, tão somente, um engessamento do que a sociedade - sempre temerosa, sempre mais mediocrizante - queria para a imagem do poeta. O romantismo ainda tolhendo as expressões mais naturais, desvirtuando a verdadeira figura (o vir-a-ser) do poeta.

Saiba: é bom divagar literariamente contigo por aqui. Volte sempre!

Van disse...

Oi Fabício

Seu "Grácil", tão cheio de graça e intensidade, lembrou-me Adoniran Barbosa "de tanto levar flechada do teu olhar..." ♫ ♪ ♫

A beleza, posto que ela não é só estética, é bem mais que isto, pode mesmo flechar e ser matadora como curare, mas uma morte que mais instiga viver do que morrer.

Se constroem monumentos de pedras e de sentimentos também. Há coisas que são eternizadas pelo olhar e pela alma.

Beijos

Fabrício César Franco disse...

Van,

Obrigado pela visita! E pela citação de Adoniram. Estou muito contente que um poema meu suscite Drummond e Adoniram, ou seja, estou muito bem acompanhado!

E você foi certeira no comentário: "morte que instiga a viver", daí, talvez a frase "linda de morrer".

Beijos!

Rafaela Figueiredo disse...

Exuberância digna de um texto parnasiano; no entanto, sensível, dignamente romântico.
A beleza, aqui, se (con)funde sob a noção platônica e a kantiana.
Fantástico, Franco!

Bjos

Fabrício César Franco disse...

Rafaela,

Achar pontuações kantianas em meu texto, que honra! Obrigado!

Beijo!

Anônimo disse...

Caríssimo POETA,
Você me permitiu conhecer muitos de seus textos, antes de serem publicados. Confesso que este é , para mim, surpreendentemente NOVO!
GRACÍLIMO!(sic!"
Abraço, com reiterada admiração,
Andrea Marcondes

Fabrício César Franco disse...

Andrea,

Não é novo, tanto assim. Havia outro título, menos sugestivo, menos côngruo. Um corte aqui, outro ali, segundo à moda de Melo Neto, e eis que o poema se faz inédito.

Um abraço grande, com carinho!

Nanda disse...

É como dizem: 'A beleza está nos olhos de quem vê'! =)

Fabrício César Franco disse...

Nanda,

Muitíssimo obrigado pela visita. E sim, precisamos de novos olhares, para ver o que nos cerca.

Abraço!

 
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