
)
do Diário do Confinamento
(
São dias de parede branca
e gestos anêmicos pontuando a reclusão: as quinas dos móveis rigorosamente perfiladas,
a bagunça dos sentimentos em confusão.
Movo-me em lapsos, sem pressa nem propósito,
cozinhando em fogo lento a adiada refeição.
Mas eis que a vontade moribunda
à revelia dessa condição,
quer abrir as janelas (como se o ar fosse puro)
e a porta (sem tanta inquietação),
pois existir assim é muito pouco:
vida minguada em constante contração.
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